sábado, 15 de junho de 2013

BLOG ::: O2:SUMIDINHA E AVISO SOBRE FANFICS!

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEntão, eu sei que houveram poucas postagens ontem e hoje, e provavelmente eu não vou conseguir postar nada até terça-feira. PORÉM, não vou poder postar porque estarei viajando, e lá não tenho internet, o que significa que ficarei escrevendo. Inclusive escrever é a única coisa que eu planejo fazer durante os próximos O4 dias. Tá, eu também planejo desenhar e ler.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤUma coisa que eu vou garantir é a finalização da FANFIC Sangue-Ruim, alguns contos próprios, o primeiro capítulo de Sangue de Khatte e Life Playing Game. Isso me lembra que eu tenho uma boa estimativa de visitas: em 3 dias o blog teve 139 visitas e 428 cliques entre páginas, o que significa que vocês podiam ter comentário um pouquinho mais, hein?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤOutra coisa que eu gostaria de falar é que estou procurando por contos, ou fanfics, ou textos de outras pessoas para postar aqui. Seus créditos serão devidamente colocados, é claro, e é só clicar aqui para ver o que é necessário para enviar seu texto.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤPor último, se você for de Belo Horizonte e gosta de ler, já viu o evento Encontro de Sagas? Dá uma conferidinha, sou organizador lá! Enfim, volto de viajem terça, mas assim que eu terminar de escrever algo, seja fanfic ou seja um dos primeiro capítulo's, eu dou meu jeitinho e posto. Até ^^

sexta-feira, 14 de junho de 2013

BLOG ::: O1

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤOi pra vocês. Acho que pode ser necessária uma pequena apresentação sobre o que eu estou fazendo aqui, e também sobre o que é isso aqui. Para quem não me conhece, eu sou Stan Carvalho, tenho 20 anos, moro em Belo Horizonte e gosto de escrever. Gosto muito de escrever. Já tive vários blogs, muitos mesmo, e eu sempre tive uma ideia fixa de pegar todos os meus textos e projetos de livros, que como podem ver não são poucos, e então colocá-los num mesmo lugar. Esse é, finalmente, o lugar.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤSerão contos, projetos de livros, pensamentos, tudo o que eu escrever e também, tudo o que amigos próximos e pessoas que eu julgar serem boas escritoras, me mandarem. Pretendo fazer daqui um lugar grande, é claro, e quem sabe um dia convencer os outros de que sei escrever decentemente. Acho que não preciso de mais palavras, então, boa leitura!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

SANGUE DE KHATTE ::: PRÓLOGO

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEle olhou para a professora, observando as gravuras postas na tela de aula que indicavam os sinais mais comuns para cada raça ou fúria. Ele reconheceu o que seu irmão tinha nas costas da mão, e aquilo lembrou Sean de quando Stephen matou seu gato.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤTinha seis anos na época e Stephen tinha acabado de completar cinco, o que tornava tudo ainda mais perigoso ou acidental. Sua mãe estava no quarto e os dois estavam na sala assistindo algum documentário sobre fúrias. Eles ficaram atentos à explicação de que alguns animais ou seres humanos possuíam fúrias tão grandiosas que quando morriam por alguém forte ou importante, acabavam lhe cedendo ela. Não sabiam exatamente o que aquilo significava, mesmo que vissem nas ruas várias pessoas com tatuagens estranhas e até se divertissem ou se assustassem com algumas, ou pelo menos era disso que Sean se lembrava de fazer na época.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤMas agora se lembrava de que Stephen nunca o fez. O caçula sempre ficava quieto no colo de sua mãe ou se estava no chão, era arrastado pela mão do irmão mais velho. Ele era pequeno, estranho, e naquele momento parecia interessado demais na parte da morte que o programa sobre fúrias parecia detalhar.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤA próxima coisa de que Sean se lembrou foi do choro. Da risada imponente que vinha de algum canto da casa, mas também do próprio choro poderoso, já que via o sangue de Theodore espalhado pelo chão da cozinha e num rastro que saía dela. Ele estava morto e seu irmão mais novo ria em algum lugar da casa. Sean queria matar ele ou ao menos bater muito no garoto, e por isso correu até o quarto dos dois. Mas ele não estava lá, estava no banheiro sendo enxaguado por sua mãe em pânico, tentando tirar o sangue do filho enquanto o seu colar brilhava, denunciando a morte que ocorrera ali e que iluminava agora o rosto de Stephen de uma forma macabra, deixando Sean imóvel na porta do banheiro. Ele continuava a rir quando a campainha tocou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤSua mãe levantou-se rapidamente, os olhos inchados e estranhos conforme descia as escadas e começava a conversar de forma calma com desconhecidos. Dois homens entraram, um indo para a cozinha e outro subindo as escadas até o banheiro, onde Stephen continuava a encarar seu irmão que ria e se olhava no espelho que ia do teto ao chão, rindo porque seu rosto brilhava mesmo que o colar já tivesse ido embora. O homem o encarou, suspirou e falou algo, colocando o pequeno escâner no chão e fazendo com que Stephen completamente pelado desse uma volta para que seu corpo agora com tatuagens fosse gravado. Sean começou a chorar de novo e Stephen o encarou, rindo novamente de uma forma maliciosa.

PENSAMENTO ::: PENSO, LOGO VOCÊ EXISTE

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤMaldita ansiedade. Ansiedade pro te ver e de te ter. De poder te beijar e então sentir. Ah, eu já senti antes, senti muitas vezes. Mas eu quero sentir novamente, quero me lembrar. Se acha que te esqueci, na verdade não - a frase que acabei de dizer na verdade é apenas mais uma desculpa. Eu simplesmente necessito de te ter aqui, mas se você fizer questão eu poderei ir ai. Apenas quero estar com você, poder ouvir seus suspiros, poder encarar seus olhos que fazem te parecer uma pessoa sonhadora ou até mesmo misteriosa. Quero me lembrar do cheiro de seu perfume, apesar de já ter dito antes que não suporto esses cheiros fabricados pelo homem. Gosto de sua essência natural, do seu cheiro tão doce que sempre sinto quando estou com os lábios roçando em seu pescoço. Falo tantas coisas boas, mas mesmo assim não consigo me decidir, qual seria a melhor parte de seu corpo. Talvez seja seu corpo por inteiro, afinal não existe uma parte dele que eu não deseje e ame. Não me chame de maluco, maluco é na verdade aquele que não consegue perceber tudo isso que você é. Penso logo existo. Porém você é o pensamento. O meu pensamento. Espero te encontrar hoje a noite, para poder me relembrar de tudo aquilo que tanto amo. Mas então meu coração dispara na simples lembrança. Meus dedos soam antes mesmo de te sentir. Meu corpo se esquenta, antes mesmo de sentir o seu calor. Chame de delírio tudo isso que eu sinto, chame também de maluquice e idiotice. O amor não é tudo isso? Infelizmente, ou felizmente sim. O amor serve de desculpa para tudo. Sim, também acho interessante o fato de você ser a minha desculpa para tudo. Que ansiedade de te ver e de te ter. Minha boca já está quase imitindo ruídos, aqueles que seriam traduzidos como seu nome. Porém minha mente está desconectada do corpo, está imaginando o que você está fazendo e onde está. Queria falar de seu corpo de forma mais detalhada, porém acho falta de respeito com aqueles que não podem te ter. Mas eu sei que eles conseguem imaginar. Ah sim, eles conseguem, e quando estão imaginando eles pensam na pessoa mais bela que já viram. Mas eles não sabem ainda o que é beleza, não te conheceram. Sim, você é a mais bela visão do mundo, pelo menos aos meus olhos, e louco é aquele que diz o contrário. Pelo menos será louco enquanto eu me considerar são. Meu dedos ficam tocando o piano imaginário, aquele que você uma vez disse querer aprender a tocar. Este piano em minha cabeça, toca exatamente a mesma melodia que você sibilava. Mas a melodia é simplesmente horrível comparado com o som da frase que você disse a seguir. Ah sim, 3 palavras, 7 letras. 8 letras se forem em inglês, porém com o mesmo significado. 7 letras em francês, ainda com o mesmo significado. Não tenho coragem de falar a frase apesar de todos já terem consciência de qual é. Consegui perceber do que mais tenho saudade. Sua voz. Algo que continua a me manter apaixonado, apesar de tanto tempo juntos. Suas frases me fazem delirar enquanto seus cantos me fazem questionar. Questionar se você realmente é da mesma raça que a minha, se na verdade não é um ser celestial ou demoníaco, com objetivos que me envolvem mais a frente. Não, quero continuar a acreditar na sua humanidade. Apesar de sua áurea celestial e ilusória ser facilmente percebida aos meus olhos. Nossa, como sonho e como sou estúpido ao escrever palavras sobre você. Um você imaginário, devo assumir, mas que vejo todas as noites em meus sonhos. Desculpem-me a todos, mas a única pessoa que realmente nunca vai me deixar, está na verdade existindo unicamente em minha mente. Porém alguém no mundo real me espera agora, com o objetivo de me fazer sonhar acordado.




Outro texto escrito por mim a uns cinco anos atrás. Não julguem, eu era iludido.

CONTO ::: PEDIDO À ESTRELA


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤOs dois sabiam que seria a última noite deles naquela praia, sabia que as chances de se verem novamente seriam mínimas, a família dele apenas fora parar naquela praia por um simples acaso, e eles não iriam retornar ali por qualquer motivo, ainda mais um motivo idiota como uma paixão de verão do filho mais novo. A mãe ainda ficaria emocionada ao pensar na possibilidade, porém o pai e o irmão mais velho já sabiam que namorar a distância, apesar de tudo, não iria ser fácil para ele.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤOs dois estavam deitados em uma canga, não falavam nada há algum tempo, apenas olhavam para o céu. Ela estava com a cabeça no peito dele, ele fingia olhar para ela mas na verdade estava procurando estrelas cadentes. Eles não possuíam mais do que 14 anos, mas mesmo assim sabiam que estavam apaixonados, já haviam escutado coisas sobre isso, e sentiam que o sentimento que estava ao seu redor era um dos melhores que poderiam sentir em toda a sua vida.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEle havia comentado com ela que iria embora ao dia seguinte, ela apenas o olhou e deu um selinho, e o assunto não foi mais retomado. Ele não queria ir embora, a mente nova fazia com que ele criasse planos para poder ficar ou voltar mais vezes. Ela já era mais madura, sabia que não ia nunca mais ver ele, e então já estava se preparando emocionalmente desde o primeiro beijo dos dois.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤUm dos dois soltou um suspiro. A garota se levantou, passou a mão levemente no seu biquíni, tentando tirar a pouca areia que havia se agarrado a sua pele. Ela não olhava para ele.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEle continuou deitado, passou os olhos rapidamente por ela, ao vê-la se mover, e então retornou a busca por uma estrela cadente. Apareceu uma. Ele fechou os olhos, ela possuía pensamentos depressivos. Ele desejou poder ficar para sempre, os olhos dela já começavam a se encharcar.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤUma mão acabou tocando a outra, e eles por um minuto se lembraram da primeira vez que aquilo havia acontecido. Ele sorriu, foi uma boa sensação. Ela mordeu seu lábio, tentando prender as lágrimas o máximo que conseguisse.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEle apertou a mão dela, e uma lágrima então escorreu. Ele não percebeu, mas se sentou, ficando ao seu lado, e continuando a olhar para frente. Outra estrela passou. Ele não sabia o que pedir.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤUm celular começou a tocar. Era o dela. Ela não iria vê-lo na manhã seguinte, o garoto iria muito cedo. Ele olhou para ela, e ela passou rapidamente a mão pelo rosto, tentando se secar, sem muito sucesso, mas ele não havia percebido nenhuma mudança em seu rosto, e permaneceu calado.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤOs dois continuavam a ouvir o celular tocar, a garota não queria atender, e assim permaneceu uma sinfonia de piano sendo tocada por alguns segundos.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEla olhou para ele, e se aproximou, dando um beijo em seu rosto de forma demorada. Ele estava mais carente, passou a mão delicadamente sobre o rosto dela e então o virou, encostando de leve seus lábios nos dela.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤOs dois se beijaram por pouco tempo, era depressivo saber que eles poderiam nunca mais se beijar. Ele começou a fazer cálculos em sua cabeça, tentando planejar uma visita a ela quando tivesse 18 anos, e assim fosse independente. Ele era inocente e não sabia.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤO toque do celular retornou, ela arranhou a garganta e atendeu. O pai dela queria que ela voltasse, estava tarde. O garoto podia ouvir cada palavra que ele dizia, mas fingia não ouvir, voltando a encarar as estrelas.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤOutra estrela passou, ele desejou que os dois continuassem apaixonados até o fim de seus dias.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤNo dia seguinte, seu pai discutia com seu irmão mais velho no carro. O caçula estava absorto por nunca mais ter que ver a garota. Seu irmão deu um chute na poltrona de seu pai, ele perdeu o controle do volante por um segundo. Foi o tempo necessário para que a tragédia acontecesse. A estrela enfim realizou seu último pedido.




Esse foi um texto que eu escrevi a anos atrás, mas sempre será meu favorito.


PENSAMENTO ::: PROMETA

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤVocê promete não me abandonar quando o meu maior medo se concretizar? Quando você abrir os seus olhos e então perceber que na verdade eu não sou tudo aquilo que você achava que eu era. Perceber que eu sou um hipócrita, um idiota, um garoto metido e mimadinho. Promete estar aqui quando eu acordar chorando, achando que nada na minha vida vai dar certo? Vai apertar a minha mão, me mandar contar até dez e mandar me acalmar quando alguém imbecil me irritar? Vai beijar os meus lábios quando eu disser que estou carente e também vai me abraçar quando algo muito ruim acontecer? Vai prometer não me julgar pelas minhas atitudes idiotas mas me censurar pelas ações desumanas? Promete que vai dizer que me ama no mínimo uma vez por dia, para que ao menos em um segundo dessas vinte e quatro horas eu me sinta feliz?


Escrito a quatro anos atrás, quando eu ainda era um iludido.

FANFIC ::: MARCA (+18)



FANFIC ENVIADA AO CONCURSO DE FANFICS DO ENCONTRO DE SAGAS BELO HORIZONTE
TEXTO ESCRITO POR GABRIELA FRAGA



ㅤㅤㅤㅤ|Título: Marca
ㅤㅤㅤㅤ|Sinopse: Draco viu nela o que não vira em mais ninguém: compreensão.
ㅤㅤㅤㅤ|Escrita por: Gaby Amorinha
ㅤㅤㅤㅤ|Classificação: 18+
ㅤㅤㅤㅤ|Shipps: Principal - Drastoria. Secundário - Zabini/Pansy
ㅤㅤㅤㅤ|Gêneros: Família, Hentai, Shoujo (Romântico), Violência
ㅤㅤㅤㅤ|Alertas: Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
ㅤㅤㅤㅤ|One-shot




ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Era estranho se lembrar de como tudo havia acontecido...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Draco ergueu a mão analisando a aliança recém colocada em seu dedo anular esquerdo. Sorriu. Olhou para a mulher de cabelos castanhos ao seu lado. Ela ainda dormia pesadamente, não devia sequer saber que ele havia acordado. Resistiu à tentação de depositar um beijo suave nos lábios dela, não queria acordá-la.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Draco... – ela murmurou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Estaria sonhando com ele? Ele riu internamente, pensando se o sonho teria a ver com a noite de núpcias dos dois.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Antes que notasse, se viu relembrando o passado.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele fora passar uma tarde das férias de páscoa com seus amigos, Crabbe, Goyle, Zabini e Parkinson na casa de Dafne Greengrass. Era uma época em que ele ainda nutria certo ódio em saber que havia sido chifrado por Parkinson com Zabini, mas depois de um tempo achou melhor deixar para lá. Ele estava no sexto ano, um ano difícil, onde ele realmente precisava de seus amigos para lhe ajudar mesmo que não soubessem que estavam o ajudando a matar Dumbledore. E depois, Zabini lhe pedira desculpas tantas vezes que chegara ao ponto de ficar irritante, então, já que ele não gostava mesmo de Pansy e só passara um tempo namorando a garota por serem o "casal modelo da Sonserina", achou melhor deixar para lá. Além do mais, ele também dava suas escapadas de vez em quando, nunca fora fiel. A diferença é que também não traíra Pansy com a melhor amiga dela.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Então estavam lá na casa de Dafne. A nada modesta casa de Dafne, perdendo apenas para a mansão Malfoy. Eles entraram e se reuniram na sala, onde começaram a beber e falar coisas inúteis, como era de praxe. Nem mesmo seus amigos sabiam da existência da Marca Negra, isso era segredo absoluto.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Depois de um tempo, Draco começou a suar debaixo daquele maldito sobretudo preto e foi ao banheiro para se livrar um pouco dele.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Subiu as escadas. Chegou em um corredor imenso. Antes que pensasse em atravessá-lo, um ardor tomou conta de seu punho esquerdo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Agora não... ele pensou. Mas não tinha muita saída. Desaparatou ali mesmo e se viu na própria mansão.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Filho. Milorde quer lhe ver. – pronunciou Lucius. Ninguém nutria uma sensação mais estranha que Draco pelo pai. Ao mesmo tempo em que o amava naquela velha relação pai-filho, a ponto de ameaçar Harry inúmeras vezes por colocar o pai em Azkaban, sentia algo de ruim pelo homem por ter permitido tão deliberadamente que Draco se tornasse um Comensal, ao invés de tentar fazer qualquer coisa para impedir, como sua mãe fizera.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Não foi uma conversa muito longa. Apenas uma pressãozinha para que ele consertasse o maldito armário logo a menos que quisesse ter sua cabeça arrancada por Nagini.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ O garoto aproveitou que estava em casa para tomar um banho e se livrar do suor, e depois aparatou de volta bem no meio do corredor, onde estava antes. Só não contava com uma coisa: aparatou bem em cima de uma pessoa.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Os dois foram para o chão. A garota estava com o coração tão acelerado em nervosismo e susto que custou a notar que estava deitada só de toalha embaixo de um dos amigos de sua irmã.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Draco olhou para a menina embaixo de si, de cabelos castanhos molhados, olhos castanhos fixando-o assustadoramente, e uma expressão de incredulidade ao ver que um garoto tinha aparatado bem em cima dela.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela olhou para os cabelos loiros dele, os olhos acinzentados, a expressão surpresa.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Malfoy. – ela identificou, mesmo nunca tendo falado com o garoto antes. – Poderia sair de cima de mim por gentileza?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Quem infernos é você? – ele perguntou se levantando desconcertado. A menina se pôs de pé segurando firmemente a toalha azul próxima ao seu corpo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Astoria Greengrass. Não me surpreende que mesmo andando grudado na Dafne o tempo todo você não saiba quem sou. A única atenção que dá a corvinos é quando os xinga de NERDs. Agora, se não se importa, preciso voltar para o meu quarto e terminar os meus estudos. Poderia por favor, pedir aos seus amigos para fazer menos barulho? Está realmente me desconcentrando. Obrigada.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Aaaah... – ele ignorou tudo que a garota havia dito e resolveu segui-la. – Então você é a tal irmãzinha da Dafne.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Nem sou tão "inha" assim. Sou só dois anos mais nova que ela. É a Dafne que fala demais.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Só dois anos? Céus...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ A verdade é que Malfoy estava com os olhos grudados na menina. Ela estava só com uma toalhazinha minúscula, e ele não a culpava. Estava em casa e o caminho do banheiro até seu quarto era de apenas três passos. Onde ela ia imaginar que haveria algum problema em sair do banheiro de toalha do tipo um garoto loiro aparatar em cima dela? Mas só de toalha, ele conseguia visualizar muito bem o corpo da menina, e ele gostou muito do que viu.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Parkinson ia pagar por tê-lo traído, e ele já até sabia como. Ia substituí-la. Ela estava crente que ele ia ficar remoendo esses chifres para sempre e além, afinal, realmente fazia dois meses que ele não ficara com nenhuma garota, que dirá dormir com uma. Dois meses desde que os dois haviam terminado a relação.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Você está achando que vai entrar no meu quarto? – perguntou Astoria, olhando para Malfoy com a mão apoiada na porta.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - O que? Não. Vai lá estudar, NERD.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ “Uma baita de uma NERD muito gostosa, diga-se de passagem.” Ele pensou. A deixou entrar no quarto e voltou para o andar de baixo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Onde esteve? – perguntou Pansy.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Dafne, pensei que sua "irmãzinha" estivesse no segundo ano, ou algo do tipo. Por que não disse que ela é apenas dois anos mais nova que você?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - O que? A Astoria tem quatorze anos? – perguntou Goyle, visivelmente interessado.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Iiih gente, isso é importante?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - É. Acabei de topar com ela saindo do banho lá em cima. – comentou Draco, aparentemente distraído com as próprias unhas.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ah, se interessou foi? – perguntou Dafne. – Boa sorte, essa daí só quer saber de estudar. Deve ser até BV.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Draco ficou mais interessado ainda. Roubar a inocência de garotinhas indefesas era a especialidade dele. Ainda mais de uma nerdzinha como Astoria.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Aposto que consigo tirar a inocência dela. – comentou Draco, rindo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Há! Duvido! – comentou Dafne.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não vou nem fazer força. – debochou o loiro.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Aposto cinqüenta galeões.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Apostado.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ A verdade é que Draco nem precisava da aposta. Ia roubar a inocência daquela NERD, custasse o que custasse.


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria se virou na cama, ficando de frente para Draco. Ainda dormia. Ele inspirou, sentindo um perfume suave floral no ar. O pouco que sobrara do perfume da noite anterior. Isso remexeu com as lembranças dele mais uma vez.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Draco jogava uma bolinha na parede, pensando no que fazer a respeito de Astoria. Havia tantas opções... Mas a oportunidade perfeita veio quando seus pais lhe bateram na porta, já pela noite.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Entrem.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Filho, seu pai e eu vamos sair. Qualquer coisa peça para o Elfo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ok.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Houve um duplo estalo e ele estava sozinho.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - ELFO!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Um elfo baixinho com nariz de batata apareceu na frente de Draco fazendo uma enorme reverência. Era o substituto de Dobby.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Pois não senhor.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Vou sair. Se meus pais voltarem antes, diga a eles que estarei de volta em breve.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Sim, senhor. Quer que eu providencie algo, senhor?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não. Apenas não diga aonde fui.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Mas eu nem mesmo sei.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Estou indo na casa da Dafne. Agora sabe. Mantenha essa boca fechada.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Sim, senhor.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Com um estalo, Draco aparatou dentro do quarto de Astoria, sem a menor cerimônia. Um perfume floral pairava no ar. Era tudo enjoativamente azul e bonitinho, com florezinhas, e borboletas pintadas em toda a parte, além de centenas de bichos de pelúcia nas estantes, na cama, e, quem diria a própria Astoria dormia com uma camisola azul abraçada a um Corvo de pelúcia. O quarto estava com todas as luzes apagadas, portanto, mergulhado em penumbra. Era uma cena tão inocente que Draco se sentiu prestes a estuprar uma criancinha.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ A menina acordou sobressaltada ao ouvir o estalo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - AAAAAAAAAAH! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? SAIA DO MEU QUARTO!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela estendeu a mão para pegar a varinha na mesa de cabeceira.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Está procurando isto? – perguntou Draco segurando a varinha dela.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ora seu... Me dê isso, agora!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Acho que não.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - O que raios você quer aqui?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Sabe o que é? Fiz uma apostazinha com a sua irmã e não estou a fim de perder. Apostei que era capaz de roubar sua inocência todinha... De uma vez. Cinquenta galeões.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Maldita Dafne! Suma do meu quarto, eu te dou cinqüenta galeões, mas sai daqui!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Sem essa! – ele retrucou. Com um aceno da varinha, Astoria sentiu seus pulsos se amarrarem um no outro. – E a minha dignidade? Dói um pouco, é verdade, mas não é nada que você não aguente...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - PARE! VOU GRITAR!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Com mais um aceno da varinha Astoria ficou sem voz. Draco sabia que era só uma questão de segundos e ela ia mudar de ideia sobre resistir. Mas por pelo menos um minuto ele precisava dela quieta.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ A garota se desesperou. Não tinha saída. Uma lágrima escorreu de seu rosto. Draco não ligou. Não ia forçá-la a nada, a questão era convencê-la, então ele não ficara nem um pouco tocado pelo desespero dela.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Largou o sobretudo no chão. Afrouxou a gravata.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria suou frio. Nunca tinha nem sequer beijado um garoto, que dirá...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele subiu a cama dela, engatinhando por sobre o corpo da garota. Ela sentia o coração bater com tanta força que temeu que este se cansasse e parasse.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu não vou te forçar a nada. Apenas convencer-te. Verá.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele ergueu o queixo dela suavemente. Ela virou o rosto. Ele tentou de novo. Ela virou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Astoria, está dificultando as coisas. É só um beijo, não é nada que seja muito... Ah, espera... Você é BV?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela só não ficou mais vermelha porque não tinha jeito. Draco se surpreendeu, achara que Dafne estava exagerando, mas agora vira que não.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Isso muda um pouco as coisas. – ele se assentou. Ela se encolheu perto da cabeceira, amedontrada. Draco acenou a varinha e Astoria sentiu que era capaz de falar de novo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Por favor, Draco... Por favor... Não faça isso comigo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Por quê? Está se guardando para alguém especial?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não alguém especial... Só alguém.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não quer mesmo se casar virgem, quer? A primeira vez só é boa nas mãos do cara certo... Tipo eu. Sua noite de núpcias pode virar uma tragédia se você estiver desesperada demais por não saber o que fazer.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não fale como se estivesse fazendo isso por mim... E poderia por favor me soltar?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Depende. Jura que não vai me atacar? Não quero te estuporar, era capaz da Dafne arrancar minha cabeça.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Juro.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele a soltou. A garota abraçou os joelhos e ficou olhando para frente.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Como é? Vai parar de se debater ou vai tentar me expulsar do quarto?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Você não está me dando muitas opções.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Tive uma ideia. Dê-me um minuto e eu convenço você.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não seja metido.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - É apenas a verdade. Preciso de um minuto para lhe convencer.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela começou a achar aquilo tudo muito ridículo. Um minuto? Ela? Mesmo sendo Draco Malfoy. Não ia conseguir mesmo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Se você não conseguir em um minuto, vai me deixar em paz?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ -Vou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Então era isso. Um minuto e ela estaria livre. Não seria tão difícil assim suportar um minuto sento tentada por Draco Malfoy, seria?


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria abriu os olhos dando de cara com o marido.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Bom dia...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Bom dia esposinha. - ele cumprimentou, mechendo em uma mecha do cabelo dela. - Estava aqui me lembrando de como um minuto comigo é perigoso para você. O que vai ser agora que moramos juntos?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Céus, nem me lembre! Eu achei que suportaria um minuto com tranqüilidade.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Você se esqueceu de que era de mim que estávamos falando.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Metido...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Foi do que me chamou naquele dia...

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele puxou suavemente o rosto dela. Ela fechou os olhos e fez um biquinho.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Oh não Astoria, desfaça esse bico. Eu não quero te dar um selinho, quero um beijo decente.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Decente? Indecente você quer dizer.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Está vendo, não vai ser de todo ruim. Você vai aprender a beijar.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela ignorou esse comentário. Fechou os olhos e respirou fundo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Draco sorriu. Roçou o polegar nos lábios da garota. Ela sentiu um calafrio lhe percorrer a espinha.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Seu tempo está passando.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não me provoque.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela ficou nervosa ao perceber que essa voz escapara de um lugar tão próximo assim. Em alguns segundos, não era mais o polegar dele lá, eram os lábios, suaves, apenas um selinho a princípio.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela não achou tão estranho assim, mas era obrigada a admitir que seu coração batia com força, ela estava nervosa...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Aos poucos, Draco transformou o selinho em um beijo suave. Astoria, percebendo os movimentos dele se envolveu no beijo também.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ “Não! Você não tem que beijá-lo, tem que resistir!”
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela parou. Ele percebeu que não seria nem um pouco difícil fazê-la perder a linha.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele passou a língua suavemente sobre os lábios dela. Astoria sentiu mais um arrepio. Ele ficou chocado com como era fácil corromper aquela menina, quase se arrependeu...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Quase. Malfoy não se arrependia.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Sugou suavemente o lábio inferior dela. Astoria nem teve tempo de conter e um gemido baixo e rouco escapou de sua garganta, separando seus lábios em alguns milímetros.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Draco aproveitou a oportunidade para passar sua língua para dentro da boca de Astoria. Mais um arrepio.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela apenas sentiu a língua dele deslizar sobre a sua, a provocando.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ “Agüente... Só um minuto...” Ela pensava, mas sabia que já estava tudo perdido. Draco era bom demais para se resistir.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela acabou por entreabrir os lábios ainda mais, facilitando a Draco o doce trabalho de corrompê-la. Ela sentia a língua dele enlaçar a dela com movimentos firmes e sinuosos, como os de uma cobra.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ “Cobra... Ele é uma cobra nojenta...”
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Sabe-se lá porque, faltando um segundo para acabar o minuto, Astoria perdeu as forças. De qualquer forma, ela já tinha se deixado envolver um pouco no começo do beijo. Ele vencera. Então ela retribuiu o beijo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Draco aproveitou para tornar aquele beijo algo ainda mais sedutor. Astoria acabou inevitavelmente envolvida pelos movimentos da língua dele e aos poucos foi aprendendo. Ele percebeu que mesmo assim ela estava nervosa e insegura. Decidiu dar alguns segundos de descanso à ela.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Viu só? Não foi tão ruim assim, foi? – ele perguntou, depois de separar o beijo um pouco. Astoria estava muito corada, e evitava olhá-lo nos olhos. Ela fez que não com a cabeça. – E tem mais: eu ganhei. Você não resistiu um minuto. Então, o que eu faço agora com você...?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Nada! Não faça nada, por favor! Eu minto pra Dafne, digo que aconteceu! Só não...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Nisso um ruído de passos ecoou no fim do corredor.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Astoria? Astoria, tudo bem? Pensei ter te ouvido conversar com alguém... – era Dafne. Vindo para o quarto da irmã.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Sinto muito Astoria... Mas eu quero meu dinheiro e minha dignidade. – retrucou Draco. O mais rápido que pode, retirou a gravata e a blusa branca de frio...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ... e Astoria bateu os olhos no pulso esquerdo de Draco. E ficou completamente sem reação.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - V-você... Você é...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Shhhh... Depois, ok?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele não ia atacar a garota. Apenas se enfiou debaixo do cobertor só de calça e abaixou as alças da camisola dela. Cobrindo ambos com o cobertor do jeito certo, Dafne ia pensar claramente que os dois estavam nus.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ E não deu outra. A loira ficou parada na porta, ouvindo. Draco resolveu aproveitar para torturar Astoria um pouquinho, espalhando beijos pelo pescoço da garota. Ela própria não conseguia raciocinar muito bem, ainda estava tonta com a Marca Negra e com o peitoral esculpido de Malfoy... O maldito garoto era lindo, e ela claramente reparou nisso. Começou a sentir uns calores lhe percorrerem o corpo, e a cada beijo de Draco, ou mordida, ela sentia um arrepio.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Você tem que ajudar, se não a Dafne não acredita... – murmurou Draco, bem no ouvido de Astoria, que apenas se arrepiou ainda mais. Nisso, a porta se abriu.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ah céus! Se queriam se pegar poderiam fazer isso mais silenciosamente, eu quero dormir! – reclamou Dafne, não deixando de reparar nos movimentos que eles estavam simulando.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Dá o fora, está atrapalhando. – reclamou Malfoy. – E me deve cinqüenta galeões.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Com um aceno da varinha, Malfoy fez a porta bater.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Dafne ficou em choque. Ele conseguira mesmo... “Nota mental: nunca aposte com Malfoy nada relacionado a garotas.” Refletiu Dafne. Se até sua irmã o Malfoy tinha pego, ninguém estava à salvo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Enquanto isso, no quarto, Draco se certificou de que Dafne estava suficientemente longe e saiu de cima de Astoria, assentando ao seu lado. A garota estava infinitamente chocada. Era muita coisa acontecendo de uma vez só, desde que o garoto loiro aparatara em cima de si. Ela ainda sentia vibrações no seu corpo devido ao recente contato com o menino, e como ele realmente sabia como seduzir uma garota, e sua mente estava causando latejação na sua cabeça de tanto esforço para entender a Marca no braço de Draco. Ele era um Comensal? O que aquilo queria dizer?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu... Eu posso explicar isso. – ele falou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Por favor, comece. Estou terminantemente confusa.


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Nossa, eu realmente fiquei preocupada quando você me contou aquela história toda sobre ser um comensal... – comentou Astoria. – Sei que não gosta do Potter, mas ainda bem que ele matou Você-Sabe-Quem, ou estaríamos todos fritos agora.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não deixe o Potter ficar sabendo, mas eu sou infinitamente agradecido a ele por ter feito isso. Livrou-me de um problemão.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Os dois se assentaram lado a lado, escorados na cabeceira, e Malfoy relatou toda a questão da sua ameaça de morte, e tudo o mais, para Astoria.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ah não... Vai ficar tudo bem com você não vai?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não fale como se preocupasse. Ninguém se preocupa.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu me preocupo! Você, querendo ou não, se tornou importante para mim... Foi o garoto em quem dei o meu primeiro beijo não foi? E honestamente, você me tirou muito do sério há alguns minutos atrás. Eu quase cedi a você. Quase. Não sabia que você era tão bonito de corpo. Ou que beijasse tão bem. Ou que tivesse mãos tão firmes. Ou...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Obrigado. Eu não sabia que você era tão bonita. É mais bonita que sua irmã.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Nossa! Ah, obrigada...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela corou muito. Ele sorriu. Estava tendo muito sucesso com a menina. Ainda podia ser que conseguisse alguma coisa por fim.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Hm... Astoria?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Sim?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Você realmente não se importa com o que eu me tornei?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Reinou o silêncio. Ela suspirou. Olhou para o próprio colo e puxou as alças da camisola para o lugar.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não posso dizer que não me importo Draco, seria mentira. Mas a questão é: minha opinião importa?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Se você dizer que não se importa com a Marca? Sim, sua opinião seria importante. Todas as garotas com quem estive... eu tive que apagar a memória delas depois para que se esquecessem disso. Todas ficavam com medo de mim. Acho que metade delas só ficou comigo por temerem o que eu faria caso elas dissessem não, embora, é claro, eu não fosse forçá-las a nada.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - O que quer dizer?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Quero dizer que você é a primeira garota que se assenta assim, ao meu lado, sabendo que sou um Comensal, e conversa comigo sem ter medo que eu arranque sua cabeça, ou algo do tipo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria olhou para o garoto. Mesmo que ele não tivesse vestido sua camisa ainda, estava com o braço esquerdo escondido atrás do corpo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu entendi. – ela comentou. – Você tem vergonha do que se tornou. Quer que eu diga que não tem problema, que não foi sua culpa, que eu conforte você. Só vai ficar em paz consigo mesmo se alguém lhe disser que está tudo bem, mas ninguém fez isso, não é?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele deu um meio sorriso.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Assustador. Você traduziu em palavras tudo que eu sinto desde que tudo isso começou... Como fez isso?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Sou inteligente... Mas mesmo assim não tem que ser tão inteligente para entender o que se passa com você... Você está triste, está pressionado, sob risco de morte. Qual foi a última vez que se divertiu um pouco? Você nunca mais jogou quadribol, ou foi em uma loja de logros não é?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu me importo sim, Draco. Mas me importo porque não quero que isso faça mal a você. De repente tudo o que você faz com os outros parece claro... Você precisa deixar os outros mal para que você sinta que há pessoas que estão em uma situação ruim, como você...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Céus... Eu sou muito cruel.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Já pensou em fazer o inverso? Por que não se alegra ao invés de entristecer os outros?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Do que está falando?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria começou a se animar. Assentou-se de frente para ele, com as pernas cruzadas.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Me diz uma coisa que você gosta.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Uma coisa? Qualquer uma?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - É! Qualquer uma.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Hm... Doces?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria riu. Não esperava que ele fosse sugerir algo tão simples.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Tudo bem então... Qual foi a última vez que você comeu doces?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ontem, eu acho.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - E a última vez que você saboreou?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não tem tanta diferença, tem?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Homens... Vocês nunca dão atenção aos pequenos detalhes, como os sabores.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - É não damos mesmo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Bem, já que você mencionou doce, vou fazer uma brincadeira com você;
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Uma brincadeira? – ele perguntou meio curioso.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - É. Você precisa se divertir.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não me divirto desde agosto passado. Desde antes de me enfiarem uma Marca Negra no pulso.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Nossa então realmente faz um tempo, não? – ela comentou se levantando. Foi até a cômoda do outro lado do quarto, cheio de porta retratos e bichinhos de pelúcia em cima e abriu uma das cômodas. Tirou um saquinho amarrado com um lenço e foi até Draco.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - O que é isso?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela se assentou de frente para ele.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - São Feijõezinhos de Todos os Sabores. – ela comentou, desamarrando o saquinho. – Vamos brincar assim: você tem que adivinhar o sabor do feijãozinho. Como geralmente dá pra saber por causa da cor, você vai ter que fechar os olhos.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - O que? O quarto está com as luzes apagadas, não dá para ver a cor de nada.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não discute... Sabe, agora não confio que você vá fechar os olhos. – ela pegou o lenço rosa que estava amarrando o saquinho. – Fecha os olhos.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Draco suspirou. Era melhor não contrariar a menina por fim. Ela amarrou o lenço sobre os olhos dele com um nó firme atrás da cabeça dele.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Consegue ver alguma coisa?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Verdade?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Verdade. – ele respondeu rindo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Legal. Vamos brincar. Você tem uma chance de acertar o sabor de cada feijão. Se conseguir, ponto seu. Caso contrário, ponto meu.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Tá, pode ser. – ele respondeu desanimado. Astoria tirou um feijãozinho qualquer e mordeu metade, identificando-o como acelga.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Abre a boca. – Draco abriu meio de qualquer jeito. Ela colocou o feijãozinho na boca dele, que começou a mastigá-lo. Ela esperou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Alface? – ele arriscou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não, acelga. Um a zero para mim!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ah, é tudo folha!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ah, você acha? Vou te dar uma alface e um agrião para você ver se não sente a diferença. Próximo... – ela mordeu metade e deu o resto para ele de novo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Cereja?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Framboesa. Dois a zero.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Que droga. Esse jogo é muito difícil.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Draco, é só acertar o sabor do feijão, não deve ser tão difícil assim. Só se sua língua não tiver a capacidade de perceber sabores. Mais um?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele abriu a boca. Ela mordeu metade e deu o resto para ele de novo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Esse eu sei. – ele disse. – Peixe.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ufa! Ponto seu, dois a um.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ E nisso essa brincadeira foi até o saco de feijõezinhos acabar. Astoria 5, Draco 27. A menina ficou encarando o saco de feijões vazio. Ele ainda estava vendado. Ela estava pensando. Nunca rira tanto como nos últimos minutos. Nunca imaginara que Draco, o mesmo Draco que tanto a perseguira para colocar aqueles apelidos, fosse um cara tão legal por dentro. E ele mesmo tinha que admitir que julgara Astoria muito mal, ela era bem descontraída, e não a garota toda certinha que ele achara.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Só tem mais um feijão Draco.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu já ganhei...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu sei. Mas você quer o último ou não?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele entreabriu os lábios. Astoria respirou fundo e o beijou, em um selinho simples. Depois de uns segundos ela se afastou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Qual é o sabor deste?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não sei dizer. Mas é o melhor de todos. Tem mais? – ele questionou, tirando o lenço dos olhos. Astoria captou nos olhos dele algo diferente. Não era luxúria... Era curiosidade.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Intrigo você? – ela perguntou, se aproximando. Ele segurou a cintura dela a puxando um pouco mais para perto.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Um pouco. Em parte porque não fugiu de mim, quando viu isso. – ele ergueu o punho esquerdo e depois o voltou à cintura dela. – E em parte por que... Eu não sei, na verdade. Você é diferente das outras meninas. Não está se atirando em cima de mim. Por quê?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não quero seu dinheiro. Também sou rica. E tudo bem que você é lindo e popular, mas eu simplesmente não dou atenção a estas coisas.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Interessante... – ele respondeu. Ergueu a mão direita e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha de Astoria. – Muito interessante... Então quando eu quis te beijar você fez de tudo um pouco para não rolar e de repente é você quem me beija? Sem segundas intenções? Isso me intriga. Porque me deu este selinho?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu não sei muito bem... Eu me diverti muito com você nos últimos minutos. E como eu disse, querendo ou não você já faz parte da minha vida. A primeira vez a gente nunca esquece. Como eu poderia esquecer que o meu primeiro beijo foi com Draco Malfoy? O menino mais popular do colégio, depois de Harry Potter?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Oh, por favor, não me fale deste bastardinho agora... Está infectando o tom da conversa...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ok, ok... De qualquer forma eu fiquei meio tocada pelo momento e acho que aconteceu... Acho que estou me interessando por você. E você é o único culpado! Quem mandou ser tão interessante e envolvente?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Obrigado pela parte que me toca... Também me interessei por você. Eu não dava risadas verdadeiras como as últimas desde agosto. Ou antes, quem sabe. Mas tem uma pergunta minha que você não respondeu.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Qual?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Vai ou não me beijar de novo?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela deu um meio sorriso. Passou as duas mãos na parte de trás da cabeça dele, agarrando suavemente os cabelos loiros.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Acho que isso é um sim... – ele comentou. Segundos depois os lábios dela estavam nos dele de novo. Ele a puxou mais para perto, de forma que ela acabou assentada no colo dele, com os joelhos travados um em cada lado dos quadris dele. Ele intensificou o beijo, e percorreu o corpo dela com suas mãos. Astoria sentiu seguidos arrepios ao sentir os dedos dele passando por suas coxas várias vezes.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Talvez isso esteja indo longe demais. – ela disse. Ao invés de soltá-la, porém, ele a empurrou até deitá-la no colchão e deitou por cima dela. – Ou talvez não haja problema... – ela completou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Os beijos retornaram ainda mais intensos. Astoria tinha plena consciência de que estava fazendo o que não devia, mas Draco era tão irresistível que ela não conseguia se conter.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Draco... Pare...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Vou parar se você quiser que eu pare.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não quero perder o significado que tenho para você e me tornar mais uma...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Astoria! – ele a olhou nos olhos. – Você nunca vai ser mais uma! Sabe por quê? Porque se isso acontecer, vai ser diferente porque você não tem medo de mim. Eu bem queria saber como é... Qual é o sentimento quando a garota não é oferecida e nem está com medo, pois são as únicas coisas que eu tive a vida toda. É quase como se você fosse a primeira de todas que realmente me quer, e não o meu saldo bancário. Além de contar o fato que você não quer sair correndo do quarto, mesmo sabendo... Disso. Você gosta de mim, entende? É isso que tem de diferente. Quer dizer, você gosta né?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - É... Eu te conheci hoje, acho que está colocando muito a carruagem na frente dos testrálios. Mas é, gosto.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Desculpe, estou acostumado a esse tipo de relacionamento com meninas que conheci em algumas horas. Mas você não é como elas, é claro.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria pensou um pouco. Ela poderia ser a garota a mostrar pra ele o valor que tinha ficar com uma menina que gostasse dele pelo menos um pouquinho, nem que fosse uma paixonitezinha.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Tudo bem Draco. Eu gosto de você e acredito que você só quer saber a sensação de ter alguém que gosta de você. É isso, não é?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Mais uma vez, você traduziu meus sentimentos em simples palavras.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu também quero você.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele ficou um tempo em choque com a informação. Depois abriu um sorriso de canto e a beijou mais uma vez. Ela deixou o beijo se estender por alguns segundos e depois o afastou de novo. Tinha que perguntar uma coisa.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Draco...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Pois não?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Me promete uma coisa?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Prometo - ele respondeu, voltando a beijá-la com um pouco mais de fome, volúpia. Este beijo foi mais demorado, e todas as vezes que ele conseguia arrancar um gemido dela, a menina arranhava as costas dele como castigo. Ela achava que gemer era uma coisa muito vulgar e não queria se submeter tanto à isso, mas alguns dos gemidos eram simplesmente incontroláveis. Ela juntou forças e o empurrou mais uma vez.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Apressado, eu nem disse o que eu quero que você me prometa.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Draco suspirou. Passou a mão pelos cabelos bagunçados e apertou um pouco os lábios, vermelhos pelo beijo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - O que é?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Promete que vai ter cuidado? Quero dizer... comigo?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ei, eu não estava brincando quando falei que vai doer.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Você já prometeu. Agora vai ter que cumprir.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - É que eu não estou tão acostumado a me preocupar com as meninas com quem estou...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Isso tem um nome sabia? Egoísmo!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - ... mas eu já disse e repito que você não é como elas. Então, vou fazer um esforcinho. Sinta-se honrada! – ele comentou rindo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Draco você é extremamente sarcástico. Adoro isso em você.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele deu um daqueles sorrisinhos sacanas de canto que ele adorava dar e uniu seus lábios nos dela de novo. Ele comandou um beijo forte e ofegante. Astoria agarrara-se às costas dele em um abraço que buscava segurança. Draco sentiu que ela ainda estava meio receosa e achou isso um saco.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Sinceramente, ele não era o príncipe encantado de nenhuma menina, então não era o tipo de cara que ia ficar se importando com os outros.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Decidiu ignorar que ela estava com medo, vai ver assim ela perdia o receio. Era só o medinho besta de algo novo e desconhecido.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele abaixou a alça da camisola dela e distribuiu beijos pelo ombro dela, espalhando pelo colo. A pele dela tinha um sabor doce, um perfume floral e uma textura macia. Era muito tentador.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele puxou a camisola para baixo e teve uma surpresa e tanto: ela estava usando uma lingerie de rendinhas vermelha.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Astoria Greengrass! E eu achando que você era toda inocentezinha...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Isso é da Dafne. – apressou Astoria a se explicar. - Ela me deu porque não tinha mais espaço pra guardar no guarda-roupa, é a primeira vez que eu uso tava até com a etiqueta! E eu só estou usando porque as outras estão todas na lavanderia.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Que seja. Não combina com você.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu sei...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Draco quase teve um acesso de risadas ao ver que Astoria ficara tão vermelha quanto sua calcinha. Ele nunca tinha acessos de risada em momentos como este. Provavelmente porque estava realmente se divertindo desta vez.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ei, o que é tão engraçado?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Você. Ficou com vergonha por que está com uma lingerie vermelha...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não tem graça.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - É... Sabe, vou embora. Você não está pronta pra isso.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - O que? Está me chamando de criança?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - É mais ou menos isso. Acabou de perder a BV e já vai perdendo a virgindade? Não, estou mesmo colocando a carruagem na frente dos testrálios. De qualquer forma, já ganhei meus cinqüenta galeões...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Sabia. Era tudo pelo dinheiro. – ela comentou incrédula ao vê-lo se levantar e começar a vestir suas roupas.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Sabe, você tem que parar de achar que é a menina mais inteligente do mundo e sabe tudo. Eu nem terminei de falar!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - É? E o que você ia dizer? – ela perguntou, se assentando e olhando para as costas dele, que ele cobrira com a blusa de botões, e agora ele calçava seus sapatos.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Que já ganhei meus cinqüenta galeões e uma coisa muito melhor que isso.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - O que?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Uma amiga que acredita em mim.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela sorriu.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Só amiga?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Depende do que ela acha. – ele respondeu, terminando de amarrar o último sapato. Astoria vestiu sua camisola e foi engatinhando na cama até se assentar do lado dele.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - E se ela quiser esse amigo pra ser seu primeiro namorado?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Céus, detesto namorar, não sei ser fiel!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Safado!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Mas essa amiga é tão especial que eu quero tentar.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Eles trocaram mais um beijo rápido. Draco pegou sua varinha, sorriu para ela e desaparatou, deixando uma Astoria extremamente sonhadora para trás.


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu realmente achei que fosse perder a virgindade naquele dia... – comentou Astoria, se aninhando para mais perto do marido.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu também achei. Quer dizer, que eu fosse tirar sua virgindade. Mas não era hora ainda.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - É eu sei. Aconteceu na hora certa.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Dafne cuspiu todo seu suco para frente, ao ouvir a notícia. Ali na mesa do café da manhã, Astoria acabara de falar para toda a sua família.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Draco Malfoy minha filha? – indagou a mãe. – Ele é um ótimo partido, mas meio suspeito não? A família dele...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não me importo mamãe. A gente tá se conhecendo ainda, mas eu gosto dele.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - É, dá pra ver. – comentou Dafne, prendendo o olhar no ombro de Astoria. A mais nova percebeu então que havia um chupão ali. Apressou-se a cobri-lo com o cabelo antes que mais alguém notasse.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Mas esse Draco... Ele não é meio velho para você? – perguntou o pai da menina.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não pai, ele tem dezesseis. A idade da Dafne.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - É da minha turma. – interferiu a mais velha. – Ele esteve aqui ontem, deve ter sido quando fez o pedido pra Astoria.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Hm, sei. Bem, você sempre foi muito inteligente, sabe o que está fazendo né filha. – disse o homem. – Vou sair para o trabalho. Tchau.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ O homem desaparatou. Logo a mãe das meninas também saiu e Dafne e Astoria estavam a sós.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Como infernos isso aconteceu? – perguntou Dafne. – Foi antes ou depois que você deixou ele te comer?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ei! Não fale isso assim! – reclamou Astoria. Dafne olhou fundo nos olhos de Dafne.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Espera ai vocês não... Humpf. Eu saberia se você não fosse mais virgem, te conheço. Preparam aquele teatrinho todo não foi?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Anh... Foi. Mas você vai ter que pagar o Draco do mesmo jeito, porque ele ia conseguir, ia mesmo, mas a gente bateu um papo e... E ele gostou de mim e... E disse que eu não estava pronta e... Enfim, ele desistiu por mim, mas ele ia conseguir.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu pago, mas só por sua causa. Não quero que ele pense que você contou algo. Mas me diz, se vocês não transaram – Astoria corou, ao se lembrar de que mesmo assim chegaram bem perto. – fizeram o que durante tanto tempo?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - A gente conversou e trocou um ou dois beijinhos só.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Engraçado, eu podia jurar que você era BV. – comentou Dafne, interessadíssima em seus ovos no prato. – Ah, espera. – ela falou, olhando nos olhos da irmã. - Você era? Ele tirou sua BV?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Tirou... – Astoria corou tanto que caso colocasse uma maçã ao seu lado seria possível confundi-las.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Há. Vou ter que pagar do mesmo jeito. Querendo ou não ele tirou sua inocência.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Você vai sair? – perguntou Astoria, quando a irmã se levantou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Vou pra casa da Parkinson.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Me deixa na casa do Draco? Quero fazer uma visita pra ele.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Dafne suspirou. Assentou-se de novo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Esquece, vou ficar aqui. Como você nunca teve namorado, e não conhece o Draco, é melhor eu te contar umas coisinhas.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Pela primeira vez em anos, Dafne e Astoria ficaram o dia inteiro juntas. Dafne contou à irmã mais nova sobre a personalidade de Draco, e que assim como praticamente todo homem no mundo ele detestava menina atirada e grudenta. Que era melhor Astoria esperar que ele a procurasse, e que sim, isso era agonizante. Astoria aprendeu que uma menina devia ser difícil, para não parecer atirada, pois garotos não gostavam demais, mas não podia fazer muita birra para não ficar chata e o menino desistir dela. E, além disso, tudo, ela tinha que ser ela mesma, porque de um jeito ou de outro, fora a personalidade dela que o fizera se apaixonar.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Tudo muito complicado é verdade. Mas Astoria estava certa de que ia dar tudo certo.


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu pensei que você tinha desistido de mim. – comentou Astoria, deitando a cabeça no peito do marido. Draco lhe ajeitou algumas mechas do cabelo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não, eu não sou de desistir tão fácil, ou teria me matado depois de um mês nessa loucura de Comensal. Ah, se teria.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Passou-se um dia. Dois. Três. Doía. Ele não a procurara.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Dafne! – chamou Astoria batendo na porta do quarto da irmã. Esta abriu e deu de cara com a mais nova na porta, de pijamas, abraçada no corvo de pelúcia e com um pote de sorvete na mão, além da cara de desolada.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ah meu Deus.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - A gente volta pra Hogwarts amanhã. Por que ele não me procurou?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu já lhe expliquei isso. Homens se dedicam 100% ao que estão fazendo no momento. Ele deve estar com muita coisa em casa, sei lá.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria refletiu. "É, ele pode estar com problemas lá com os Comensais."
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ele vai lhe procurar. Nem que seja amanhã, no trem, ele vai. Só tenha calma.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ No dia seguinte, Astoria chegara até cedo na estação, estava com pressa de encontrar seu namorado. Encontrou o vagão do trem onde Draco costumava se assentar com seus amigos. Ficou na porta. Não sabia se deveria esperá-lo lá dentro ou se deveria ficar em outro lugar. Será que ele gostaria de ser visto na frente de todo mundo com ela? Mas por outro lado, se ele quisesse esconder o namoro talvez não gostasse tanto dela.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Acabou ficando na porta mesmo. Os minutos iam passando e pessoa atrás de pessoa ia entrando no trem. Logo o vagão onde Astoria estava esperando começou a encher. As pessoas passavam por ela na porta, olhavam com uma cara de desprezo e iam se assentar. Cochichavam sobre ela por alguns segundos e depois iam falar sobre suas férias de páscoa.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ "Talvez eu deva ir embora..." assim que Astoria se virou para sair trombou em um garoto alto, loiro, e de, sobretudo preto.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Draco! – ela quase o abraçou, mas resistiu ao impulso. Precisava analisar o terreno antes.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Astoria. O que faz aqui?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Estava te esperando chegar. – "xiii... Isso está parecendo muito grudento. Ele não gosta de menina que gruda." - Queria te dar um abraço antes de ir pro meu vagão.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Seu vagão? Não seja ridícula, se é minha namorada vai viajar comigo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Mas eu...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Só porque eu não te procurei? – ele perguntou, adivinhando o que ela ia dizer. – Estava com problemas. – ele disse, apertando o punho esquerdo. – Mas já passou. Entra logo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele segurou a garota pelo ombro e foi a guiando até a cabine que ocupava com seus amigos, e que já estava cheia. Colocou-a assentada ao seu lado e passou o braço sobre os ombros dela. Depois desse gesto nenhum dos amigos se atreveu a perguntar o que a menina estava fazendo lá.


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Seus amigos encheram-lhe de perguntas depois, não foi?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Sim, quando estávamos na sala comunal da Sonserina. Não foi nada tão pessoal, e eu não falei nada que não devesse ser dito.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu acredito em você.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Só você acredita em mim.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não é verdade...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - É, agora não é. Mas naquela época... Só o Potter e você sabiam a verdade.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - E ainda assim, ele não sabia de tudo, ou não teria duelado com você no banheiro.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ah, não me lembre desse dia. – ele pediu, parando de alisar os cabelos dela para olhar em seus olhos. – Não agora, não hoje.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - De um jeito ou de outro, é bom poder te abraçar agora. Eu realmente achei que você fosse morrer...

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria se deparou com Snape no corredor, carregando um Draco semi-desacordado, molhado, e gemendo de dor, com um feitiço levitador de corpos.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - CÉUS, O QUE ACONTECEU? – ela correu até ele, e segurou a mão do rapaz, temerosamente gélida.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Foi atingido por um feitiço audacioso de alguém que acha que tem mais direitos que os outros por ter uma cicatriz no meio da testa. – disse o professor, em sua voz arrastada, quase sem mexer a boca para falar, a expressão inalterada.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ "Harry Potter! Mas... por quê?"
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Snape continuou seu caminho até a Ala Hospitalar, sendo seguido de perto por Astoria. Entraram ambos os três na Ala, o homem depositou Draco na cama e Madame Pomfrey aproximou-se às pressas.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - O que aconteceu com esse rapaz?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Creio que esteja familiarizada com o Sectumsempra, não? Fechei os cortes e recolhi o sangue, mas acho que ele ainda precisa de seus cuidados.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ "Sangue? O que o Potter fez?"
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Severo...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não fui eu, se é isso que está insinuando. Tenho uma vaga ideia do culpado. Vou resolver este pequeno infortúnio e deixo o rapaz em suas mãos.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Snape se retirou. Astoria assentou-se em uma cadeira, ao lado de Draco.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ele vai ficar bom, não vai? – perguntou Astoria. Pomona não respondeu. Pousou a mão sobre a testa do garoto. Murmurou algo como "gelado" e sumiu por alguns segundos, voltando com uma toalhinha e uma tina de água quente. Molhou a toalhinha na água e pousou sobre a testa dele. Em seguida, desabotoou a camiseta dele e iniciou uma análise, procurando cortes ou qualquer coisa.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - O que é um Sectumsempra? – perguntou Astoria. Mais uma vez, Pomona ignorou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Por fim a bruxa decidiu que Snape tinha fechado todos os cortes. Sumiu mais uma vez e voltou com um vidrinho com uma poção fumegante e outro com uma poção meio grossa.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Tome-as Malfoy. Essa é para aumentar sua temperatura e essa é um anestésico para a dor. Vai ter que ficar aqui por um tempo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Com a ajuda de Astoria, ele tomou ambas as poções e se deitou de novo. Passados alguns minutos, adormeceu.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Mas não Astoria. Esta passou noites e noites em claro ao lado dele, até que melhorasse por completo, sendo preso na Ala Hospitalar pelos cuidados exagerados de Pomona. Entretanto, enquanto ainda mantido na Ala, uma noite ele esperou que Astoria dormisse, com a cabeça apoiada na cama. Então se levantou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Essa foi a noite em que o Armário Sumidouro foi aberto. Foi a noite em que Draco revelou ser um Comensal. Em que Dumbledore morreu.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria só fazia correr no meio da bagunça se perguntando onde raios Draco fora parar. Depois de muito tempo, ela o encontrou. Todos estavam no funeral de Dumbledore. Draco estivera desaparecido desde a morte do diretor, e ela gastou dias para finalmente descobrir onde ele estava.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ "Preciso do local onde Draco está. Preciso ver o Draco. Preciso do Draco."
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Depois da terceira vez, a porta se materializou em sua frente.


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Uma coisa que eu não sei até hoje – ele começou – é como me achou na Sala Precisa. Pensei que depois de tudo de ruim que acontecera comigo naquela sala, você ia pensar que lá era o último lugar onde eu queria estar, então me escondi lá para ficar sozinho.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Justamente por isso eu sabia que estaria lá. Eu sabia que você iria querer ficar sozinho, então iria para o lugar menos provável.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele franziu a testa.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Sabe, agora soa ridiculamente óbvio que eu estaria lá. Deveria ter me escondido no banheiro dos monitores, ou quem sabe na Floresta...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu daria um jeito de lhe encontrar. Tenho certeza.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu sabia. Por que está se escondendo aqui?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Vá embora. Se estou me escondendo é para que ninguém me ache.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não me importo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ A Sala se transformara em uma espécie de quarto para ele, com uma cama, armário, mesa com cadeiras e até uma estante, provavelmente quando ele desejou ter algo para fazer. Ele estava assentado na cama, girando a varinha na mão. Astoria assentou-se ao lado dele, tento um forte dejá-vù de quando ele invadira seu quarto.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Você não fez nada de errado, não matou Dumbledore, não tem porque se escon...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Nada de errado? Nada? Usei a maldição Imperius mais vezes do que me seria sensato dizer, passei o ano inteiro tentando matar uma pessoa, favoreci a entrada de Comensais no castelo, quase usei a Cruciatus no Potter e ainda me alistei como um Comensal! Isso tudo não é nada?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não foi isso que eu quis dizer. Você não queria realmente fazer o que fez, e é isso que te torna diferente dos outros Comensais.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - O que importa? Você acha que alguém lá fora vai se importar com as minhas razões? Se eu sair daqui vou ter sorte se grifinos, lufanos e corvinos ainda não tiverem se unido para me matar. E do jeito que os sonserinos são muitos poucos me dariam algum tipo de apoio. Se eu sair daqui, sou um cara morto!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Então vão ter que me matar antes. Está todo mundo muito preocupado com o próprio umbigo para armar um complô contra você, Malfoy. Pare de achar que o mundo gira ao seu redor!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Pare você de achar que todo mundo é tão convalescente quanto você foi!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ah, quer saber, você é melhor de boca fechada. Pare de se lamentar.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela o beijou antes que ele retrucasse. Draco percebeu que precisava daquilo. Precisava da presença dela por alguns minutos, de apenas ficarem um ao lado do outro, e fim. Ela se surpreendeu quando ele a abraçou e encostou a cabeça em seu ombro, em silêncio. Ela decidiu que ia ficar lá.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ambos já tinham adormecido há algumas horas, quando ele acordou. Tivera um pesadelo muito vívido no qual Voldemort o matara por não ter sido ele o assassino de Dumbledore.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ "Que merda... Isso precisa parar. Por favor..."
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Levantou-se com calma, para não acordar a garota e foi até o banheiro, lavar o rosto. Deixou a água gelada esfriar seu rosto, enquanto respirava lentamente para se acalmar. Depois de alguns minutos foi capaz de encarar seu reflexo no espelho e se julgar aceitável. Enxugou o rosto.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Assim que saiu do banheiro, se deparou com Astoria assentada na cama, abraçada aos joelhos.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ah, o que faz acordada?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Senti frio. Você saiu.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele respirou fundo. Tirou um cobertor do armário e levou até ela.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Toma.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ A verdade é que ela queria um abraço, mas contentou-se em se enrolar no cobertor. Draco se deitou novamente. Achou que fosse dormir imediatamente, mas Astoria não pretendia deixar tão facilmente.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Por que estava acordado agora? Está de madrugada.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu... ? – ele não queria demonstrar fraqueza, mas aquela era Astoria no fim das contas. – Foi um pesadelo. Nada de mais.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Pesadelo? Quer falar sobre isso?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Draco...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Você-Sabe-Quem. Sonhei que ele tinha me matado.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria suspirou. Imaginara que fosse algo do tipo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ele não vai fazer isso Draco. Dumbledore morreu, missão cumprida.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não fui eu quem matou... Eu fui fraco, não consegui. Foi o Snape.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Draco...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu vou morrer Asty.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria parou. Olhou para ele. "Asty, foi do que ele me chamou?"
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não... Não vai... Eu não vou deixar Draco...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ E ela quase começou a chorar. Olhou para o garoto assentado ao seu lado de pernas cruzadas, os cabelos loiros caindo um pouco sobre o rosto pálido, os olhos cinza ainda meio vidrados de medo, lábios entreabertos puxando ar para dentro. Ele arfava um pouco. A blusa branca de frio com a gravata frouxa parecia mais alguém que voltara de um assalto do que alguém que estivera dormindo. E Astoria percebeu.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ "Eu amo esse garoto. Amo muito."
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Draco... Por favor, relaxe, não vai acontecer nada, é uma promessa.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele olhou para ela, pronto para dar uma resposta grosseira, mas seus olhos se encontraram, e ele não conseguiu brigar. A confiança presente no olhar dela o convenceu em menos de segundo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ "Sim, eu sei. Não vai acontecer nada,"
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele se virou, ficando de frente para ela. Colocou o rosto dela entre suas mãos, acariciando lentamente os maxilares dela. Então, puxou-a para um beijo extremamente casto para os padrões do Sonserino.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Draco... – ela suspirou, quando os lábios se separaram. – Eu faria de tudo para você parar de sofrer... O que eu posso fazer por você? – ela estendeu a mão lentamente para tocar o rosto do rapaz, mas não chegou a fazê-lo. Ele segurou o pulso dela com suavidade.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Por hora... Vá para sua Sala Comunal. Eu quero ficar aqui.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não vou lhe deixar sozinho! Pediu-me a única coisa que não posso fazer!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ E para a surpresa de Astoria, ele sorriu. Sorriu de verdade, não um sorriso frágil e sarcástico como lhe era de praxe.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Aaaah Astoria... Agora vai dizer-me que se apaixonou por mim?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Apaixonar? Não Draco... Muito mais que paixão, meu sentimento é tão forte que me atreveria a chama-lo amor.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Então é idiota. – concluiu o rosto repentinamente sério. Soltou-lhe as mãos e virou-se de costas.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Sim, sou idiota. Mas uma idiota feliz, e preocupada no presente momento. Está agindo como se estivesse bem, mas eu bem sei que está triste... E preocupado... Deixe-me lhe ajudar, por favor, e não só você, mas também eu ficarei com a consciência mais leve... Por favor...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele permaneceu estático, no mesmo local, na mesma posição. Astoria começou a pensar, se havia um momento no qual era importante usar seu excesso de inteligência, era aquele.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ E ela pensou...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ E pensou...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ E pensou...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ E resolveu.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Abraçou-o por trás, assustando o garoto e retirando-o de seus devaneios.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Astoria! Já não lhe disse para ir...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Mas antes que ele terminasse a frase, a garota começou a desabotoar botão por botão da camiseta do loiro.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - O que pensa que está fazendo?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Dando-lhe a única coisa que eu posso dar nesse momento para arrancar essa expressão de velório do seu rosto: eu mesma.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Então além de idiota, é louca?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Sim. E você é o único culpado.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não faça isso!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Mas a blusa dele já estava no chão, e Astoria o puxou pela gravata até que estivessem um de frente para o outro.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Agora escute bem o que vou dizer Malfoy. Eu amo você e quero lhe ajudar de alguma forma. Pare com toda essa teimosia Sonserina e aceite logo! A menos que por um motivo ou por outro, você não queira mais...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ E para que ela foi abrir a boca... Ao ouvir a expressão "não queira mais", ele grudou seus lábios nos dela, em um beijo ávido e faminto.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ "Você é tão previsível Draco... Eu sabia que não ia fugir."
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ A rapidez com a qual Draco puxou a camiseta de Astoria para cima surpreendeu até mesmo a ela. Era mais do que uma simples vontade dele, era como se ele precisasse daquilo, precisasse dela.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria soltou a gravata dele, e colou seus lábios novamente. A fome dele a contaminara de tal forma que agora ambos eram consumidos pelo desejo... Não, pela necessidade um do outro.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Draco a deitou na cama com uma pequena falta de delicadeza, e assentou-se em cima dela.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Beijou-a com a mesma fome avassaladora. Astoria enlaçou os dedos nos cabelos loiros, respirando fundo. Sentia-se nervosa, o coração palpitando tanto que ela chegou a temer o que iria acontecer, mas foi um temor bom. Algo dentro de si lhe dizia que nada que viesse de Draco seria algo ruim, mesmo que ele tivesse feito tantas coisas erradas...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Draco... – ela suspirou, quando os lábios dele deixaram os dela por alguns segundos, para trilharem um caminho na clavícula da garota.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Hm... – ele soltou essa espécie de murmúrio em resposta.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela queria dizê-lo que o amava que ele podia ficar tranquilo, que ela estaria sempre com ele, que nada iria se por no caminho dos dois... Mas isso era tudo coisa do coração, e a mente corvina superdotada dela deu outro comando: não diga nada. Espere.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Subitamente, ela sentiu os dedos dele, frios, suaves, subindo a linha da coluna dela, o que provocou um arrepio de proporções tão grandes que até mesmo ele pode sentir o corpo da garota estremecer. E ele gostou de saber que era o responsável por isso.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Como reação ao arrepio, ela abraçou o tronco dele junto ao seu, de modo que ele acabou por voltar a unir os lábios dele aos dela. E os dedos dele agora se ocupavam com o cinto e o botão da calça. Astoria sentiu um arrepio ainda mais forte quando ouviu o som da calça preta batendo no chão e, olhando para o namorado, se deu conta de que alcançara seu intuito, ele estava bem distraído agora. E bastante feliz também, em todos os sentidos.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Os dedos frios voltaram a entrar em contato com o corpo da menina, agora mais especificamente no cós da saia, que em segundos, também estava no chão.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Fazia frio naquela noite, mas ele já estava acostumado a lidar com esse tipo de situação, e ela estava tão nervosa que nem notou. Draco não queria perder a única coisa que tinha naquele momento, e que era Astoria, então buscou por confirmação nos olhos dela antes de seguir. Viu um brilho determinado nos orbes castanhos, os pelos do corpo arrepiados, as bochechas coradas tanto pela vergonha quanto pela brisa gelada que entrava pela janela, os lábios vermelhos por terem sido beijados tantas e tantas vezes naquele curto espaço de tempo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Sim, ela estava certa, tanto quanto ele estava. Astoria sentiu uma overdose de nervosismo quando Draco se ocupou em se livrar das últimas peças de roupas de ambos. Seu coração batia loucamente, seu corpo tremia, sua respiração estava descompassada, os pelos em pé, o rosto ainda mais corado em vergonha por estarem ambos desnudos...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ O exato oposto do namorado, que ostentava uma tranquilidade atípica. Se o objetivo da corvina era realmente tranquilizar e afastar os medos do loiro, o êxito era máximo. Ele estava completamente envolvido naquilo, envolvido nela. E foi a tranquilidade que ele exalava que, aos poucos, diminuiu o nervosismo dela. Até mesmo a vergonha e a sensação de estar exposta desapareceram. E quando a respiração dela finalmente se normalizou, Draco a beijou para distraí-la um pouco, e em um movimento, seus corpos se uniram.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela se assustou, obviamente. Separou o beijo. Soltou uma arfada amedrontada. Estava doendo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ "Dói um pouco, é verdade, mas não é nada que você não aguente..."(...)"Ei, eu não estava brincando quando falei que vai doer."
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ "Eu já sabia disso... Não posso culpa-lo, eu já sabia."
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Mas nem passou pela cabeça dela "culpa-lo", pois não era de todo ruim. Acima de toda a dor, o que importava ali e agora era que ela estava de fato com ele, afastando os medos e receios dele, fazendo algo por ele... E mesmo ele era forçado a admitir: talvez também amasse aquela garota, pois estava sentindo algo de diferente, algo além de prazer. Algo como... Pertencimento?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela abraçou o tronco dele com toda a força que conseguiu contra si. Os lábios dele tocaram o pescoço dela suavemente, enquanto seu corpo assumiu movimentos fortes e suaves.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria expirou, bem no ouvido de Draco. Saiu junto com um gemido fraco e tímido, e fez todos os pelos do corpo dele se arrepiarem.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Astoria... Faz isso de novo, por Merlin!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - O-o que? - ela gaguejou, com os lábios trêmulos.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele resmungou alguma coisa. Então apertou o corpo dela ainda mais contra o seu, provocando uma onda de calafrios no corpo de Astoria, e arrancando um gemido não tão tímido dela.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Eles voltaram a se beijar. Draco se sentia tão feliz naquele momento que se esqueceu completamente do que era.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria o fazia se esquecer de si mesmo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Nenhum dos dois saberia dizer quando, mas em algum momento terminou, e a última coisa que ambos viram antes de cair no sono fora os olhos um do outro. Dessa vez, Draco não teve pesadelo nenhum.


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Aaah se não fosse por você, acho que eu teria pesadelos até hoje.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Se não fosse por você eu seria BV até hoje.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Será mesmo?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Os dois riram um pouco. Ela deitou a cabeça no ombro dele.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Já te disse que foi só nesse dia que eu descobri que te amava?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não, eu achei que já me amasse antes!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ah, eu não disse que não te amava antes, disse que só descobri nesse dia.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ah, tudo bem. Foi quando eu descobri que te amava também. Mas chega, você sabe que eu não gosto de ficar falando essas coisas melosas.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Há, e como sei! – ela exclamou, apoiando-se nos cotovelos e olhando-o nos olhos.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Draco abriu os olhos e olhou em volta. O chão estava coalhado com suas roupas, mas nem sinal de Astoria.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ "Ela saiu. Merda, eu devo ter estragado tudo! Ela com certeza se arrependeu!"
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Draco pegou roupas limpas no armário e se vestiu. Não queria sair dali para não ser morto, mas precisava procurar por Astoria e se desculpar por qualquer coisa que tivesse acontecido para ela deixa-lo ali.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ "E agora, o que eu devo fazer?"
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele ainda estava em dúvida quando a porta se abriu e a morena entrou com uma bolsa enorme e vestindo roupas trouxas limpas: uma calça jeans, tênis, bata rosa e um arquinho no cabelo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ah, já acordou... Não queria que acordasse sem mim aqui, deve ter pensado que eu me arrependi e fui embora...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não, de forma alguma.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Fui pegar comida para nós. Tentei pedir café da manhã para a Sala, mas ela conjurou uma porta que dava direto no Saguão Principal, então, surrupiei comida da mesa.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu te disse que a Sala não fazia comida, não disse?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Deve ter dito, eu que esqueci.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela colocou pães, uma jarra de suco, frutas e um bolo de frutas em uma bandeja de madeira e se assentou na frente de Draco.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Já comeu? – ele perguntou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não. – ela respondeu, abocanhando o pão francês mais próximo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Alguns minutos se passaram, nos quais eles apenas comeram em silêncio. Por fim, Draco fez a pergunta que tanto atormentava sua cabeça.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - E tudo bem com você?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Astoria quase respondeu na hora, mas parou para refletir a pergunta. Ele queria saber se ainda estava doendo, e a resposta era sim, estava. Mas ele havia dito que não se preocupava, no entanto, se estava se preocupando agora, então talvez...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Vai ficar Draco, não se preocupe.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele suspirou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Preocupo sim, é minha culpa.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Você tem amnésia? Até onde me lembro, a ideia foi minha.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ O loiro olhou para o próprio colo, mastigando uma maça verde e pensando se falava ou não...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ "Se eu falar pode distraí-la, vai ver ela até esquece a dor..."
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Eu também. – ele disse.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Você também o que? – ela retrucou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Amo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ama o que?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ele ergueu o olhar para ela. Quando ela olhou nos olhos dele...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ah... Ah isso. Quer dizer, ela. Quer dizer, eu... Quer dizer... Ah, foda-se.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ela deu um beijo nele e tudo se pôs no lugar. Deu para perceber com isso que Draco não iria demonstrar seus sentimentos com facilidade, mas Astoria ficou super feliz em saber que ele os tinha.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - E quando é amor... É para sempre não é? – ela perguntou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Draco riu e se levantou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Junte suas coisas, vamos voltar pra escola e para a vida normal. – ele se espreguiçou, de pé.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Posso levar isso como um sim?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Anda logo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Era um sim. E ela sabia.


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Ok, já chega. Podíamos levantar agora, não acha? – Draco perguntou já se levantando sem esperar resposta.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ - Não, não acho. – ela disse, mas se levantou também.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ Ambos vestiram suas roupas e desceram para a mesa do café, posta pelo elfo doméstico. E depois de comerem o bastante os dois deram as mãos e aparataram para a França, onde haviam escolhido passar a lua de mel. E sabiam que essa viagem era apenas o começo do que seria uma vida nova, dessa vez sem medos, sem comensais, e com tudo em paz como deveria ser.

FANFIC ::: O INÍCIO DEPOIS DO FIM


FANFIC VENCEDORA DO CONCURSO DE FANFICS DO ENCONTRO DE SAGAS BELO HORIZONTE
TEXTO ESCRITO POR RAYAN GALDINO

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Severo...por favor.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤHouve um pequeno intervalo de tempo. Ambos se encaravam. Snape fitava Dumbledore. Ele sabia que precisava ser feito. Ergueu a varinha e apontou-a diretamente para o peito do Diretor. Seu rosto estava contorcido em ódio.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Avada Kedavra!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤUm lampejo verde cortou o ar na direção de Dumbledore. Ele não reagiu. Quando a maldição o atingiu, houve uma forte luz que o cegou. Ele pairou no ar por algum instante e sentiu deixar o próprio corpo. Agora mergulhava em algum lugar muito bonito.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEstava defronte para sua antiga casa, em Godric’s Hollow. Havia uma comprida trilha que contornava todo o povoado. Nela, logo a frente, alguém o esperava. Ele semicerrou os olhos e viu o rosto familiar de Ariana, que acenava alegremente para ele.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Alvo!– ela disse e sua voz ecoou por todo o lugar. Só haviam os dois ali. Sua irmã estava radiante e cheia de luz.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEle se aproximou, sentindo-se feliz ao vê-la. Seus olhos imensamente azuis repousados em seu rosto angelical e sorridente.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Você vem? Mamãe e papai estão nos esperando.– estendeu-lhe a mão. Então juntos seguiram pela trilha comprida.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤDumbledore nunca vira Ariana tão feliz e sentia-se bem em vê-la assim. Não dissera nenhuma palavra desde que chegara ali.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Ariana.– ele disse e sua voz estava rouca e emotiva.– Que bom que está aqui.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEla o puxava pela mão esquerda.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– É bem bonito, não é? Este lugar. Eles o chamam de O Caminho. Eu estive te esperando.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Eu agradeço pela sua compaixão por um pobre velho.– ele disse sorrindo também.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤMas seu pensamento estava distante. Nos que ele deixara para trás. Em seu passado obscuro. E sentia-se extremamente mal. A escuridão se fechou em torno dele e Ariana pareceu se afastar. “Alvo?” sua voz doce chamou por ele, mas ela ecoou e foi sumindo até que ele se perdeu na penumbra que o cercava.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤViu-se numa sala comprida e mal iluminada. O fogo estalava em uma lareira. Haviam poltronas e janelas com pesadas cortinas de veludo. Também um grande tapete ocupava quase toda a sala.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤAli, a sua frente, ele viu três pessoas. Aberforth, seu irmão discutia com um homem loiro de cabelos em cachos. Ambos pareciam realmente irritados enquanto o terceiro tentava controlar a situação. Este último era alto e possuía um cabelo comprido e ligeiramente avermelhado. Seus olhos azuis se moviam de um lado para o outro. Era o próprio Dumbledore em sua conturbada juventude.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Parem vocês dois. Que discussão infantil. – sua voz soou calma embora forte e clara.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Diga a ele, Alvo. Diga a ele que não pode impedir nossos planos. Sua visão limitada o impede de enxergar o futuro! Tudo o que temos feito e tudo o que não temos é por um bem maior!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Bem maior? Vá te catar, Gerardo! Alvo...– disse Aberforth tentando restaurar a calma.– Alvo. Você está esquecendo Ariana. Nós somos a família dela!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Ariana faz parte dos nossos planos.– disse Alvo calmamente.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Você não vai levá-la, não seja tão estúpido e egoísta!– berrou Aberforth. Sua têmpora palpitava e seu rosto estava vermelho de fúria.– Não vou deixar que você a leve para a morte!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Alguns sacrifícios devem ser feitos para...– começou Grindelwald. Mas antes que pudesse terminar, foi atingido por um lampejo no peito que o fez cair sentado na poltrona mais próxima.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤAberforth estava com a varinha apontada para ele. Seus olhos, azuis como o do irmão, lampejavam inflamados como cristal líquido. Ele parecia terrivelmente zangado. O bruxo loiro sacou sua varinha e se levantou, furioso. Disparou um único lampejo contra Aber que se esquivou. Os dois então começaram a trocar feitiços, destruindo aos poucos, a sala de estar da casa dos Dumbledore.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤAlvo, por sua vez, tentava interpor-se entre os dois, bloqueando seus feitiços. Agitava sua varinha conjurando escudos incolores e encantamentos de dissipação mágica. “Parem, seus tolos!”, ele berrava. Aberforth ainda desviava dos feitiços de Grindelwald, mas este último não parecia disposto à ouvir Alvo. Sentia que seu irmão mais novo era um obstáculo. Um obstáculo que precisava ser aniquilado.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Avada Kedavra.– Ele mirou Aber que se atirou atrás da estante das lousas. O lampejo verde explodiu na parede e deixou uma marca escura ali.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤAlvo não suportou vê-lo atacar seu irmão. Sentiu o ódio e a ambição de Grindelwald. Ele era seu melhor amigo, mas não parecia se importar com o resto. Sentiu um peso enorme ao perceber que estava errado: Ariana era a coisa mais importante. Não haveria Bem Maior do que cuidar da própria família. Então jurou a si mesmo que defenderia seu irmão e sua irmã até a morte. Ergueu a varinha mirando Gerardo e antes mesmo que pudesse pronunciar a fórmula aconteceu.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤUma longa língua de fogo emergiu da ponta e se enroscou na mão armada de Grindelwald. Este berrava com a dor do fogo marcando-lhe. Então o fogo se dissipou. Aberforth se levantou. Alvo tremia, irado.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Você mentiu para mim, Gerardo.– ele disse. Sua voz saiu forte e sombria, como nunca. Até mesmo seu irmão o olhou, receoso.– Você tem me enganado todo este tempo. E cego, tenho concordado com seus absurdos. Mas não vou tolerar que você tente ferir minha família.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤGrindelwald estava surpreso e furioso. Suspirou e sacou a própria varinha.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Alvo. Você me atacou. Se me pedir perdão, eu esqueço isso e nós vamos embora daqui já. Mas se não o fizer, eu...
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤO outro girou a varinha. Houve um estampido alto e um lampejo atingiu o rosto de Gerardo que guinchou de dor. Alvo havia lhe socado o rosto com um feitiço. Aber sorriu agradado.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Ora, até que enfim. Eu queria ver a cara feia desse paspalho partida no meio.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤGrindelwald disparou incontáveis maldições contra os irmãos Dumbledore, que se esquivavam agilmente. Os lampejos se cruzavam no ar e se fundiam. Clarões brilhavam na parede da sala de estar, quase inteiramente destroçada. Na escada, uma garotinha expressava desespero e terror, erguendo as mãos para os três bruxos sem se mover ou dizer qualquer coisa.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Já chega, Abe!– berrou Dumbledore.– Saia daqui já! Leve Ariana! Vá logo!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Não, Alvo, esse cara ia dizer que a morte dela serviria aos propósitos dele! Eu quero vê-lo morto!
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤHouveram mais lampejos. Verdes, vermelhos, azuis e negros. Ricocheteavam nos porta-retratos, nos enfeites e arranjos florais. A cortina estava em chamas e as paredes encardidas.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Vão logo antes que eu decida impedi-los, seu tolo.– disse Gerardo que estava diabólico e inflamado pela raiva.– Não vê?! Esse é o desejo dele! Ele quer ir comigo e deixá-los! Ele entende que é tudo para o Bem Maior!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤAberforth olhou para o irmão.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– É verdade, Alvo? É isso o que você quer?!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEle não respondeu. Estava arfando, com a mão estendida.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Seu idiota!– berrou Abe.– Você ainda está cego! Ainda não abandonou seus planos, não é?! Hum? Responda-me!
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEle disparou um feitiço conta Alvo que se defendeu com um escudo mágico. Gerardo aproveitou-se e disparou uma maldição contra Aber que se esquivou e lançou outro lampejo contra Gerindelwald. Então os três bruxos começaram a se atacar e a se defender – com exceção de Alvo que não ousou atacar seu irmão mais novo –, e os lampejos e clarões das maldições e contrafeitiços continuaram.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Não...– a voz rouca e baixa de Ariana não foi o suficiente para que eles pudessem parar. Ela desceu as escadas com as mãos erguidas e se aproximou arrastando passos. Apenas Aber pareceu notar sua irmã ali.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– ARIANA NÃO! VOLTE LÁ PARA CIMA AGORA!
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEle rebateu um feitiço lançado por Grindelwald que também se defendia de Dumbledore, que posteriormente foi atacado por Aber. Os clarões se misturaram no espaço entre eles. Um dos lampejos explodiu no ar na direção de Ariana e ela foi impactada e lançada para longe. Seu corpo frágil caiu no chão e houve uma grande explosão na sala que estourou as escadas. A mais jovem da família Dumbledore estava inerte no chão. Seus olhos não tinham vida e suas lágrimas desciam-lhe pelo rosto pálido e delicado.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤOs três se espantaram. Alvo e Aberforth correram até ela, tropeçando nos destroços da casa. Choravam incrédulos. Grindelwald não disse nada. Baixou a varinha, lançou-lhes um último olhar inexpressivo e seguiu para fora da casa.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤA penumbra escura envolveu toda a casa e ela desapareceu. Então, recomeçou a se dispersar e surgiu uma manhã clara e serena. Havia um cemitério verde, atrás de uma pequena capela. Também era possível ver lápides em mármore branco e árvores baixas. Flores se abriam em torno da trilha tortuosa. Pessoas se reuniam em torno de um pequeno túmulo coberto de flores onde havia uma placa recém-colocada, onde se lia:
“Ariana Dumbledore”
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤAlguns choramingavam baixinho e outros apenas mantinham-se em silêncio. Pessoas deram palmadinhas nas costas de Alvo e Aberforth, demonstrando o pesar e saíam aos poucos. O mais velho, fitava o nome da irmã, ainda desacreditado, mais Aber o encarava com ódio, com lágrimas nos olhos.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEle se aproximou de Alvo e abruptamente, deu-lhe um soco no nariz. O outro grunhiu baixinho e caiu no chão, segurando o nariz que gotejava seu sangue vermelho. Todos se afastaram, pasmos e indignados, esperando a reação de Alvo. Mas ele apenas se levantou, olhou para o irmão que bufava furioso e se afastou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ– ISSO TUDO É CULPA SUA! É CULPA DE VOCÊS DOIS! É...É NOSSA CULPA! – Aber chorava. Caiu no chão de joelhos e o céu começou a se enegrecer com nuvens cinzentas que anunciavam uma chuva, como um lamento do céu.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤOutra vez, a fumaça negra envolveu todos os que ali estavam. Engoliu o cemitério em escuridão e foi se desfazendo lentamente até se transformar em uma noite negra e gélida. Havia uma grande torre com grandes portões de bronze, onde havia um símbolo estranho, encimado pela frase “Pelo Bem Maior”.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤAlgumas pessoas, todas mal vestidas, sujas e com expressões cansadas e tristes saíam pelos portões que se abriam. No topo da torre, dois homens discutiam e duelavam. Alvo Dumbledore segurava sua varinha, seu cabelo se tornara ligeiramente grisalho e sua barba estava mais comprida. O outro era um bruxo loiro, embora seu cabelo tivesse um punhado de fios esbranquiçados e seu rosto era magro e sem dúvida alguma, maquiavélico.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Você sabe que eu não vou perder, não sabe, Alvo?– Gerardo ria-se sombriamente.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤMas Dumbledore não respondeu. Apenas girava sua varinha e fogo jorrava da ponta dela. Grindelwald se defendia com água conjurada. Lançava sobre Alvo, estilhaços da torre semidestruída.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Bombarda Maxima!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Incendio Erupto!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Partis Temporus!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Avada Kedavra!
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤTrocavam feitiços perigosamente. Ambos ardilosos em vencer a batalha, desejando a morte um do outro. O ódio e o ressentimento queimava em seus corações, transformando-os em bruxos irracionais e terríveis. Os que fugiam da torre, lançavam olhares assustados para o topo antes de desaparecerem na sombra da floresta à frente. Um vento gélido e desagradável soprava ali. Espectros encapuzados surgiam aos poucos, aproximando-se deles e da torre de Nurmengard.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤMas algo aconteceu. Uma força incomensurável surgiu no coração de Alvo Dumbledore ao se lembrar de sua irmã sorrindo para ele e dançando alegremente nos jardins defronte sua antiga casa, em Godric’s Hollow. Ele ergueu a varinha, concentrando-se nesta lembrança e eis que uma grande e imponente fênix prateada surgiu. Ela silvou e mergulhou no ar, cegando Grindelwald e afastando os espectros encapuzados. A força crescia continuamente no coração de Dumbledore.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ“Você não deve fazer isso por vingança. Deve fazer isso para protegê-los da escuridão.” Disse uma voz que ecoou dentro dele. Agora haviam inúmeros cadáveres se arrastando pelas escadas até o topo. Era uma cena macabra e horrível demais. Mas Alvo não temeu. A fênix continuou afastando os dementadores e distraindo Grindelwald que cobria os olhos.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ O bruxo então conjurou um grande leão de chamas que rugiu alto e saltou sobre os cadáveres. Ele foi se desfazendo até que se tornasse apenas um grande círculo de fogo que desintegrava tudo o que tocava e se tornava cada vez mais perigoso. Dumbledore se tornara um bruxo poderoso agora. Podia desarmar Gerardo se desejasse e matá-lo no mesmo instante. Mas não o fez. Expandiu o círculo de chamas douradas e elas consumiam a torre e tudo em torno dos dois bruxos.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Agora somos apenas eu e você, Gerardo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Minha morte não vai trazê-la de volta, vai Alvo? Hein?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Não, não irá.– retrucou Dumbledore.– Não faço isso por ela. Faço isso pelo Bem Maior.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤHouve um novo clarão e as chamas se transformaram em grades e colunas de fogo em torno de Grindelwald que estava esticado no chão como se correntes prendessem seus braços e pernas ao chão, deixando-o imóvel. Sua varinha estava no chão. Alvo se aproximou com a varinha apontada para o rosto de seu adversário.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Não termina assim tão fácil. Você nunca foi e nunca será mais poderoso do que Gerardo Grindelwald! NUNCA!– ele tremia furioso.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Talvez não.– disse Alvo.– mas nós dois sabemos que o que você possui jamais será usado novamente. Estupefaça!
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤO lampejo atingiu-lhe em cheio no rosto e Grindelwald estava agora desacordado. As chamas se dissiparam e a parede se refez enquanto Dumbledore restaurava o topo da torre. Então ele fez com que grossas barras de ferro brotassem ali e conjurou inúmeros feitiços de proteção que formaram uma barreira mágica.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Rennervate.– ele mirou Gerardo que apesar de acordado, estava zonzo e pouco consciente. Então ele seguiu para as escadas mas antes que pudesse deixar Nurmengard ouviu uma voz baixa e sinistra chamando pelo seu nome.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤA voz provinha do chão, próxima de onde estava a varinha de Grindelwald. Dumbledore se aproximou e ergueu-a no ar. Ela disparou fagulhas luminosas que se dissiparam no ar. Fitando-a duvidoso, ele lançou um olhar à um canto escuro da sala, onde alguém o olhava, sob um capuz negro. Ele imaginou que fosse mais um dementador, mas por fim,concluiu que a aparição era algo pior e muito mais sombrio do que tais criaturas. Os olhos brilhavam na escuridão e fez com que os pelos da nuca de Alvo eriçassem.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ“Ela está em suas mãos agora.”, disse a voz. A forma encapuzada desapareceu na sombra e ele continuou lá a fitar a varinha. Por fim guardou-a e desceu as escadas, pensativo e um pouco assustado. Quando passou pelos portões de bronze que se fecharam com um estrondo alto às suas costas, ele voltou-se para as inscrições no metal.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ“Pelo Bem Maior”, era o que estava escrito sobre um estranho símbolo, o qual ele reconhecia agora:

ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤO ar frio e sinistro soprou ainda mais forte agora. Dumbledore seguiu para a floresta desejando, em seu íntimo, nunca ter visto aquela misteriosa e macabra criatura. Deixou Nurmengard e Grindelwald trancado lá para sempre, jurando enterrar ali também, aquela lembrança.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Alvo?– chamou a voz de Ariana. Ela estava distante, mas parecia cada vez mais próxima.– Está pronto? Estamos chegando.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤA penumbra escura foi se dispersando até dar forma à Godric’s Hollow luminosa e agradável. Sua irmã reapareceu, segurando sua mão, sorridente.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Você está bem?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Sim.– ele voltou a si e sorriu, embora sentisse a sombra daquelas lembranças perturbá-lo ali.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Você deixará tudo para trás. Tá bem? Temos que ir. Eles nos esperam.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEstavam chegando ao fim da trilha. Ali havia um arco por onde a luz penetrava no Caminho. Então, ela apertou a mão dele e avançou um passo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Ariana, espere.– Dumbledore pediu. Voltou-se para a irmã e acariciou-lhe o rosto.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Sim?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEle continuou a fitá-la, cheio de dúvidas. Então olhou para a luz infinita que provinha do arco.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Ah, não é nada. Apenas não me lembro de ter visto algo tão belo assim em toda a minha vida. Fico feliz em vê-la de novo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤAriana sorriu.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– É bom te ver também.– ela segurou sua mão com firmeza.– Agora venha. Papai e mamãe ficarão felizes em vê-lo também.
ㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEles seguiram para a luz e foram tomados por ela. Alvo Dumbledore desapareceu pelo arco, acompanhado de sua irmã, desejando não deixá-la nunca mais. Mas então ele soube que o que desejara havia sido feito e que em breve tudo seria consumado. E suas ações e consequências, todas elas, tinham um propósito. O propósito pelo qual ele lutava desde sua juventude. Fizera tudo o que pudera, no fim, pelo Bem Maior.

SANGUE-RUIM ::: capítulo O2:JAMES

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEle estava obcecado por ela. Era um sentimento completamente diferente de tudo o que já havia sentido até então, e o pior de tudo, era que tinha certeza de que aquilo acabaria o destruindo, de uma forma ou de outra. Amar uma nascida trouxa? Tudo bem que seus pais não se preocupariam com aquilo, mesmo que James fosse de uma longa linhagem de puro-sangues, mas ainda assim... Não. Ele não se importaria com aquilo, nunca. Ele a amava, desde aquele maldito dia no trem, quando a garotinha ruiva se sentou na mesma cabine que eles. Ele a amava.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Oi? – perguntou Sirius, abaixando o livro e o encarando. James o olhou de volta.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– O quê?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Achei que você tinha dito que... – começou a falar, de repente estreitando o olhar para ele de uma forma que deixava claro que não podia ter ouvido aquilo. – Deixa pra lá.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤJames deu de ombros, continuando a encarar o teto de sua cama. A tentação de se levantar dali e olhar o mapa para descobrir onde ela estava apenas crescia. Porque não conseguia parar de pensar nela?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Merda.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Você está fazendo isso de novo, James...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Fazendo o quê? – Sirius sorriu, fechando o livro e se sentando na cama de frente para ele, lançando um olhar malicioso.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Falando sacanagem alto.
James fez uma careta.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Você está fazendo isso demais, sério. Não é que eu não goste desses seus comentários mentais repentinos, sempre são divertidos, mas, cara, isso também é um sinal de que você quer falar algo. Não quer? – James ficou em silêncio, continuando a olhar para cima. – Cara, você está me preocupando... Parece que tem algo preso dentro de você que não quer sair, e acho que uma de minhas revistas possa não te ajudar ness...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– SIRIUS! – interrompeu James, colocando o travesseiro por cima da cabeça e respirando fundo, sentindo o ar quente envolver seu rosto. – Cala a boca, sério. Eu estou bem, só estou com muita coisa na cabeça.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Aham, claro, “muita coisa na cabeça”...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤJames o ignorou, de repente levantando-se da cama e jogando o travesseiro nele. A mão foi rapidamente para o mapa do maroto que estava em cima da mesa, em seguida pegando sua capa de invisibilidade e se ocultando, antes que Sirius pudesse impedi-lo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Onde você vai? EI? James? – perguntou Sirius, tentando encará-lo, mas apenas visualizando o vazio. – Cara, você ainda tá aí? Eu vou esconder uma fada mordedora nos seus lençóis se estiver me deixando... – James fechou a porta, abafando as próximas palavras dele. Não era tão tarde assim, apesar de Peter ainda estar fora da sala comunal, mas, Lupin iria fazer uma ronda de monitor naquele dia, o que significava que ela também faria. Ele deu uns passos para a frente, se aproximando da escada conforme encostava a ponta da varinha no pergaminho dobrado na sua mão.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Juro solenemente que não pretendo fazer nada de bom.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤAs linhas começaram a se formar no mesmo momento, revelando um mapa interno da escola, assim como desenhos de pegadas que indicavam todas as pessoas ali. James começou a procurar imediatamente por Lily, começando a dobrar e desdobrar páginas, até que finalmente a encontrou no lado esquerdo do segundo andar, perto da sala de Transfiguração. Começou a correr. Era sempre assim que aquilo acontecia, e quando dava por si, já estava a apenas metros de Lilian.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEle não falava nada, apenas ficava ali, a assistindo. Ela nunca o notava, é claro, mesmo que vez ou outra ouvisse algum barulho acidental que James provocasse. James às vezes pensava que deveria sair da maldita capa e tentar conversar com ela, mas, que tipo de panaca ele seria se se permitisse aquilo? Além do mais, tinha um prazer enorme em apenas ficar a observando de longe. Gostava da forma com que ela sempre parecia agir da maneira certa, recolhendo lixo no chão, limpando alguma armadura com um feitiço qualquer ou até mesmo fazendo carinho em algum animal de estimação que estivesse rondando por ali. Ela era uma boa pessoa mesmo quando ninguém olhava. Bem, exceto aquela exceção.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤJames encostou-se na parede, observando-a se virar rapidamente para ele como se tivesse ouvido algo. Tentou dobrar o mapa com cuidado e o colocou no bolso, dando passos silenciosos para trás quando ela começou a avançar na sua direção.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Eu sei que você está aí... – falou Lilian, mas ela sempre falava aquilo. Nunca conseguira o encontrar, é claro, e algumas vezes até chegara a flagrar casais de namorados que tentavam se esconder a todo o custo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEla continuou a avançar, e James parou, encostando-se novamente ao lado de uma armadura e a observando passar por ela. Maldito cheiro de pinheiro. James não entendia como, mas ela sempre tinha um leve cheiro assim, o que o fazia imaginar que ela prendia dezenas de galhinhos no seu quarto ou tinha um perfume daquilo, o que era muito estranho.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤAgora ele gostava de pinheiros.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Eu sei que você está aí... – repetiu, fazendo-o sorrir. Lily agora já havia passado por ele e seguida em frente, com o rosto decidido e a varinha apontada para frente com o lumus ativado. James a seguiu, quando ela finalmente virou num corredor e gritou um “AHA!” para o vazio. Tentou se segurar para não rir, e ela virou-se novamente para ele, o que o fez se assustar e dar um passo para trás, esbarrando-se em algo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤA armadura parecia cair em câmera lenta.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Expelliarmus! – gritou a bruxa de repente, fazendo com que James saísse voando e caísse, a capa de invisibilidade escorregando de seu corpo. Lily se aproximou com a varinha ainda apontada para ele, o rosto zangado. – Você deveria estar na cama. – James tentou dar um sorriso, se sentando no chão e pegando a capa de forma rápida. – O que é isso aí?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Nada. – falou amassando o tecido fino e o dobrando, notando o interesse de Lily na capa.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Não parece ser nada... – James revirou os olhos.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Você quer confiscar? Eu pego amanhã de volta de qualquer forma...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Você não tem nenhum respeito pelas autoridades, não é mesmo? – falou num tom acusador, as narinas inflando, o que significava que ela estava começando a se irritar. James ficou calado, apenas a encarando com um sorriso gentil, observando-a aos poucos começar a ficar vermelha, até finalmente se virar de costas e respirar fundo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Acho melhor eu ir para a cama...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– É... Eu também... – começou a falar, de repente se virando e voltando a olhá-lo de uma forma acusadora. – Espera um pouco, o que você estava fazendo aqui?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤOpa. James começou a corar, o que fez com que Lily arregalasse os olhos.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Nada... Apenas... Andando... Queria ir na cozinha e...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– A cozinha não é por aqui, e você sabe muito bem que tem um atalho por trás do quadro de Merlin que te faz chegar lá em cinco minutos. E é do outro lado do castelo!
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤMerda. James engoliu em seco, de repente se levantando e começando a pensar em alguma desculpa. Lily deu um passo na sua direção, e então outro. Estava mais próxima e o cheiro de pinheiro parecia incrivelmente tentador.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Potter, o que você estava aprontando? – ele hesitou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Nada... – James virou o rosto, encarando a estátua e então balançando a varinha, fazendo-a aos poucos se ajeitar para que ficasse na posição original.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Potter, eu vou te colocar na detenção se você não me disse agora o que você estava fazendo me seguindo.
Então ela notara que estava ali por ela. James de um sorriso gentil, mas notando imediatamente que o olhar de Lily agora parecia estar preocupado.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Você ia pregar uma peça em mim?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Não! – gritou James, a mão de Lily indo rapidamente para a boca dele, tentando silenciá-lo.
Ignore o cheiro de pinheiros, pense em qualquer outro cheiro, menos de pinheiros...
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Você quer nos meter em confusão? – sussurrou Lily, o rosto incrivelmente próximo do dele. James fez que não com a cabeça, a mão dela começando a se afastar da boca do bruxo. Ela deu um passo para trás, James deu um passo para frente.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– O que você está fazendo? – perguntou ela levantando uma sobrancelha. James sorriu, ficando vermelho novamente. Ela também começou a corar. – James? – perguntou, observando-o dar outro passo para frente, agora seus corpos se colando. O rosto dela agora parecia estar tão vermelho que mais lembrava a cor do brasão da Grifinória. – Jaaames? – perguntou de novo, mas agora a voz mais parecia um sussurro. A mão dela foi para o braço dele, apertando-o de leve.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– James? – perguntou a voz de Lupin.

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– ELE O QUÊ? AI MEU MERLIN! – gritou Sirius, fazendo com que todos na mesa da Grifinória virassem a cabeça e o encarassem. James se encolheu.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Almofadinhas, menos... – murmurou Remo, mas Sirius começou a rir.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Você gosta dela? – perguntou, a risada se tornando mais aguda até que finalmente encontrou o olhar do amigo. – Espera... Você gosta dela?
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Cala a boca, Sirius. – interrompeu Peter, o olhar dele fixado na sua vasilha com cereais.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Qual é, isso não é possível... Quero dizer, você sempre a encarou demais e todo mundo sabe que você tinha uma quedinha por ela, mas, você está apaixonado? Pela Evans? Pela miss certinha que nunca fez nada de errado no mundo? O James Potter? O mesmo James Potter que tirou foto das garotas do time de quadribol da Corvinal apenas de roupa íntima? – Algumas pessoas voltaram a encarar Sirius, e então, começaram a rir, olhando em seguida para James.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Cara, cala a boca. Você quem me obrigou! – Sirius levantou as mãos, fazendo uma cara de quem não sabia do que ele estava falando. James revirou os olhos.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Eu não te obriguei a nada! Apenas te dei a câm... – parou de falar de repente, o olhar dele indo para trás de James, fixando-se em algo. – Ele precisa saber disso.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤJames se virou, encarando Snape olhando-os fixamente, como se já soubesse que algo estava errado. Sirius se levantou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Hey, ranhoso! – gritou, fazendo com que metade do salão também o olhasse.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Sirius, cala a boca... – murmurou Lupin. James se levantou, tentando tapar o amigo da visão de Snape. Infelizmente aquilo não o impediu de gritar ainda mais alto.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ– Parece que você perdeu essa, hein! – James colocou a mão na cara. Ao menos Sirius não fora tão explícito assim, como suspeitava que iria ser.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤO som de uma taça caindo no chão fez com que ele virasse o rosto. Lily o encarava, e então encarou Snape. E então James. E então Snape entendeu tudo.