quarta-feira, 12 de junho de 2013

SANGUE DE KHATTE ::: PRÓLOGO

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤEle olhou para a professora, observando as gravuras postas na tela de aula que indicavam os sinais mais comuns para cada raça ou fúria. Ele reconheceu o que seu irmão tinha nas costas da mão, e aquilo lembrou Sean de quando Stephen matou seu gato.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤTinha seis anos na época e Stephen tinha acabado de completar cinco, o que tornava tudo ainda mais perigoso ou acidental. Sua mãe estava no quarto e os dois estavam na sala assistindo algum documentário sobre fúrias. Eles ficaram atentos à explicação de que alguns animais ou seres humanos possuíam fúrias tão grandiosas que quando morriam por alguém forte ou importante, acabavam lhe cedendo ela. Não sabiam exatamente o que aquilo significava, mesmo que vissem nas ruas várias pessoas com tatuagens estranhas e até se divertissem ou se assustassem com algumas, ou pelo menos era disso que Sean se lembrava de fazer na época.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤMas agora se lembrava de que Stephen nunca o fez. O caçula sempre ficava quieto no colo de sua mãe ou se estava no chão, era arrastado pela mão do irmão mais velho. Ele era pequeno, estranho, e naquele momento parecia interessado demais na parte da morte que o programa sobre fúrias parecia detalhar.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤA próxima coisa de que Sean se lembrou foi do choro. Da risada imponente que vinha de algum canto da casa, mas também do próprio choro poderoso, já que via o sangue de Theodore espalhado pelo chão da cozinha e num rastro que saía dela. Ele estava morto e seu irmão mais novo ria em algum lugar da casa. Sean queria matar ele ou ao menos bater muito no garoto, e por isso correu até o quarto dos dois. Mas ele não estava lá, estava no banheiro sendo enxaguado por sua mãe em pânico, tentando tirar o sangue do filho enquanto o seu colar brilhava, denunciando a morte que ocorrera ali e que iluminava agora o rosto de Stephen de uma forma macabra, deixando Sean imóvel na porta do banheiro. Ele continuava a rir quando a campainha tocou.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤSua mãe levantou-se rapidamente, os olhos inchados e estranhos conforme descia as escadas e começava a conversar de forma calma com desconhecidos. Dois homens entraram, um indo para a cozinha e outro subindo as escadas até o banheiro, onde Stephen continuava a encarar seu irmão que ria e se olhava no espelho que ia do teto ao chão, rindo porque seu rosto brilhava mesmo que o colar já tivesse ido embora. O homem o encarou, suspirou e falou algo, colocando o pequeno escâner no chão e fazendo com que Stephen completamente pelado desse uma volta para que seu corpo agora com tatuagens fosse gravado. Sean começou a chorar de novo e Stephen o encarou, rindo novamente de uma forma maliciosa.

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